Justiça

PF investiga se Cláudio Castro favoreceu o Grupo Refit com a máquina pública do Rio

15 de Maio de 2026 às 15:03

A Polícia Federal investiga o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, por favorecimento ao Grupo Refit mediante a cooptação de órgãos estaduais. A operação, autorizada pelo STF, incluiu busca e apreensão na residência de Castro, que teve aparelhos eletrônicos recolhidos

PF investiga se Cláudio Castro favoreceu o Grupo Refit com a máquina pública do Rio
Divulgação/Governo do RJ

Uma operação da Polícia Federal, deflagrada nesta sexta-feira (15), investiga a atuação do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), no favorecimento do Grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. De acordo com a decisão judicial assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), as evidências apontam para uma "cooptação integral" da máquina pública estadual para atender a interesses privados da empresa.

O esquema envolveria o direcionamento de órgãos estratégicos, como a Secretaria da Fazenda, a Polícia Civil, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e a Procuradoria-Geral do Estado (PGE). A investigação detalha que Castro promoveu a substituição de agentes públicos que resistiam às pressões da Refit. Em janeiro de 2025, Leonardo Lobo foi substituído por Juliano Pasqual na Secretaria de Fazenda após se opor ao esquema. De forma semelhante, o procurador-geral do estado Bruno Teixeira Dubeux foi trocado por Renan Miguel Saad.

A nomeação de Saad teria como objetivo viabilizar uma manifestação da PGE, encomendada pelo então governador, para reverter interdições federais impostas à refinaria em setembro de 2025, durante a Operação Cadeia de Carbono.

As provas citadas pelo STF incluem um encontro em Nova York, nos Estados Unidos, onde Castro e sua comitiva de secretários se reuniram com Ricardo Magro, proprietário da Refit. O encontro contou também com a presença de Daniel Maia, diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Magro, apontado como um dos maiores sonegadores de impostos do país, é alvo de mandado de prisão, mas é considerado foragido, residindo nos Estados Unidos há dez anos.

No âmbito da operação, policiais federais cumpriram um mandado de busca e apreensão na residência de Cláudio Castro, no Rio de Janeiro, onde foram recolhidos um tablet e um celular.

A defesa do ex-governador afirmou ter sido surpreendida pela ação e declarou que ele está à disposição da Justiça. A nota sustenta que todos os atos de sua gestão seguiram critérios técnicos e legais, destacando que a administração teria garantido o pagamento de quase R$ 1 bilhão em dívidas da Refit com o estado, embora o parcelamento esteja atualmente suspenso por decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Em nota, a Refit informou que suas pendências tributárias são discutidas nas esferas judicial e administrativa, alegando ter herdado passivos de gestões anteriores. A empresa negou a falsificação de declarações fiscais e refutou ter fornecido combustíveis para organizações criminosas, afirmando, inclusive, ter denunciado postos ligados a facções às autoridades e à ANP.

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