PF investiga se empresa ligada a enteado de Jaques Wagner recebeu vantagens indevidas do Banco Master
A Polícia Federal investiga se a BN Financeira, vinculada ao enteado do senador Jaques Wagner, serviu para ocultar repasses indevidos do Banco Master. A apuração foca em uma transferência de R$ 3,5 milhões da PKL One Participações para a empresa. A Justiça determinou a suspensão das atividades da BN Financeira
A Polícia Federal investiga se a BN Financeira Ltda. foi utilizada para a recepção e a dissimulação de vantagens indevidas no contexto de apurações envolvendo o Banco Master. A empresa é apontada pelos investigadores como o ponto central de repasses destinados ao núcleo familiar do senador Jaques Wagner (PT-BA), sendo vinculada a Eduardo Sodré, enteado do parlamentar.
O foco da apuração recai sobre a transferência de R$ 3,5 milhões realizada em 17 de outubro de 2025, da PKL One Participações S.A. para a BN Financeira. A PKL One é dirigida por Andréa Lima Novaes, prima de Augusto Ferreira Lima, gestor associado ao Banco Master e identificado como o principal interlocutor privado do senador. De acordo com a PF, o repasse financeiro teria sido precedido por cobranças feitas por Eduardo Sodré a Augusto Lima, envolvendo a emissão de boletos, notas fiscais e a formalização de documentos para a viabilização dos pagamentos.
Para a Polícia Federal, a BN Financeira apresenta características incompatíveis com o volume de recursos recebidos, pois foi constituída como microempresa, possui capital social reduzido e baixa capacidade operacional. Essa disparidade leva os investigadores a questionar se houve a prestação real de serviços ou se a estrutura serviu apenas para conferir aparência de legalidade a valores ilícitos.
A investigação também analisa planilhas encontradas no aparelho celular de Daniel Lopes Monteiro, apontado como operador jurídico-financeiro do núcleo do Banco Master. Nos registros, Augusto Lima teria justificado dificuldades em efetuar pagamentos devido ao insucesso de uma operação entre o Banco Master e o Banco de Brasília, fato que, para a PF, reforça a suspeita de que os repasses estariam ligados a interesses empresariais do grupo.
Diante das evidências, a Justiça determinou a suspensão das atividades econômicas e financeiras da BN Financeira, sob a suspeita de que a pessoa jurídica funcionava como veículo para ocultar vantagens indevidas.
A defesa de Augusto Lima afirmou que as diligências da Polícia Federal foram desnecessárias, alegando que ele está à disposição das autoridades há seis meses para prestar esclarecimentos. A nota sustenta que as medidas comprovarão a licitude dos fatos e que a atuação do gestor sempre ocorreu dentro da lei e das normas do sistema financeiro e da administração pública. A defesa de Jaques Wagner não se manifestou.