Justiça

PF investiga se repasses para filme sobre Bolsonaro custearam despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos

16 de Maio de 2026 às 06:06

A Polícia Federal investiga se R$ 61 milhões transferidos pelo banqueiro Daniel Vorcaro para o filme "Dark Horse" foram desviados para despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O deputado atuou como produtor-executivo do projeto ao lado de Mário Frias, com a produtora americana GoUp Entertainment

A Polícia Federal investiga se repasses financeiros feitos pelo banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme "Dark Horse", obra sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, foram desviados para custear despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O inquérito busca apurar se os valores tinham a finalidade real de financiar a obra ou se a produção serviu como pretexto para a transferência de recursos ao deputado cassado, que reside em território americano desde fevereiro do ano passado.

Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, está preso em Brasília sob a acusação de liderar um esquema de fraudes financeiras bilionárias. As negociações para o aporte no filme envolveram contatos diretos com o senador Flávio Bolsonaro, que, em áudios divulgados, pressionou o banqueiro por pagamentos. Ao todo, Vorcaro teria transferido R$ 61 milhões.

Eduardo Bolsonaro atuou como produtor-executivo do projeto, função formalizada em contrato assinado digitalmente em 30 de janeiro de 2024, ao lado do deputado federal Mário Frias (PL-SP). O documento, que identifica a empresa americana GoUp Entertainment como a produtora, atribuía a Eduardo e Frias a responsabilidade pela captação de recursos. As obrigações incluíam a elaboração de documentações para investidores, busca por patrocínios, créditos, incentivos fiscais e a definição de estratégias de financiamento.

O plano de captação do filme estruturou-se em cotas de investimento. Foram ofertadas 40 cotas de US$ 500 mil, totalizando US$ 20 milhões, e cinco cotas de US$ 1 milhão cada. Para quem adquirisse o pacote de maior valor, era prometida uma cadeira no conselho do filme, permitindo a participação nas decisões da produção.

Um diferencial incomum no mercado cinematográfico foi a promessa de facilitar a imigração para os Estados Unidos. O "atalho" para a obtenção de visto de residência permanente era oferecido exclusivamente aos investidores que comprassem a cota mais cara, de US$ 1,1 milhão (aproximadamente R$ 5,5 milhões).

A proposta financeira previa que o investidor recuperasse o capital alocado acrescido de 20% de retorno. Após a quitação desses valores, o lucro remanescente seria dividido equitativamente entre produtores e investidores. O planejamento de receita global do longa trabalhava com três cenários: US$ 45 milhões, US$ 70 milhões ou US$ 100 milhões.

Questionado sobre a situação, Eduardo Bolsonaro afirmou, via redes sociais, que seu status migratório nos Estados Unidos o impossibilitaria de receber valores provenientes de fundos de investimento vinculados a Daniel Vorcaro.

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