Justiça

PF investiga troca de imóveis de R$ 140 milhões entre banqueiro e ex-presidente do BRB

27 de Maio de 2026 às 06:07

A Polícia Federal investiga a troca de imóveis de R$ 140 milhões entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. A suspeita é que as propriedades tenham sido negociadas para facilitar transações financeiras e a compra de carteiras do Banco Master pelo BRB. Ambos estão detidos

A Polícia Federal investiga a troca de imóveis avaliados em aproximadamente R$ 140 milhões entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. A suspeita é que as propriedades, localizadas em Brasília e São Paulo, tenham sido negociadas para que Costa facilitasse transações financeiras entre as duas instituições.

As evidências, baseadas em diálogos extraídos e enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF), revelam que a movimentação de bens ocorreu paralelamente a negociações corporativas. Em novembro de 2024, Vorcaro orientou uma corretora a buscar apartamentos para Costa, incluindo uma unidade de R$ 45 milhões no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo. Em mensagens, o ex-presidente do BRB afirmou que a escolha dos imóveis era fundamental para a tranquilidade de sua família e que a parceria com o banqueiro representava a união de suas vidas.

No âmbito operacional, as conversas indicam que Paulo Henrique Costa demonstrava disposição em viabilizar aportes do BRB para a compra de carteiras do Banco Master. Em diálogos de novembro de 2024, o ex-executivo chegou a questionar Vorcaro sobre a necessidade de caixa da instituição financeira e solicitou um cronograma para estruturar os repasses.

Essa proximidade culminou em 28 de março de 2025, quando o conselho do BRB aprovou a aquisição de 58% do capital total do Banco Master, incluindo 100% das ações preferenciais e 49% das ordinárias. A operação, no entanto, foi barrada. Dias antes da aprovação, em 18 de março, Vorcaro referiu-se a Costa como um "gigante" durante as tratativas, embora o ex-presidente do BRB tenha insistido na necessidade de regularizar a documentação da transação.

A Polícia Federal sustenta que esses diálogos comprovam a inserção de Paulo Henrique Costa em uma engenharia criminosa. O ex-executivo está preso desde 16 de abril, no Complexo Penitenciário da Papuda, sob suspeita de ignorar práticas de governança e autorizar negócios sem as garantias financeiras necessárias.

Daniel Vorcaro permanece detido desde 4 de março, na Superintendência da PF em Brasília. Ele é investigado por crimes financeiros, pagamentos indevidos a agentes públicos e a criação de uma milícia privada para monitorar autoridades e perseguir jornalistas.

Embora ambos busquem firmar acordos de delação premiada, a Polícia Federal rejeitou a proposta de Vorcaro na última semana. O pedido ainda poderá ser analisado individualmente pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Em nota, a defesa de Paulo Henrique Costa alegou que as mensagens ocorreram no contexto de um projeto conjunto de parceria relevante entre os bancos.

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