Justiça

PF prende sete pessoas em operação contra organização criminosa que utilizava agentes do Estado

14 de Maio de 2026 às 12:34

A Polícia Federal prendeu Henrique Moura Vorcaro e outras seis pessoas na sexta fase da Operação Compliance Zero, cumprindo também 17 mandados de busca e apreensão. A ação investiga uma organização criminosa liderada por Daniel Vorcaro, que utilizava núcleos de coação, vazamento de dados e ataques cibernéticos. Entre os detidos estão policiais federais e um bicheiro, suspeitos de monitorar investigações e intimidar adversários

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (14), a sexta fase da Operação Compliance Zero, resultando na prisão de Henrique Moura Vorcaro e de outros seis alvos. A ação, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), cumpre ainda 17 mandados de busca e apreensão. Henrique Vorcaro, preso em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), é apontado como operador financeiro e responsável por demandar serviços de núcleos especializados em coação e vazamento de dados.

A investigação revela que o banqueiro Daniel Vorcaro comandava uma organização criminosa estruturada em núcleos operacionais para proteger interesses familiares e intimidar adversários. Um desses braços, denominado “A Turma”, era focado em ameaças, coerções e levantamentos clandestinos. Este grupo contava com a colaboração de Manoel Mendes Rodrigues, empresário do jogo do bicho no Rio de Janeiro, utilizado como instrumento de pressão física e moral. A PF detalha que a reputação de Manoel na contravenção servia para dar credibilidade às ameaças, como ocorreu em Angra dos Reis, onde ele se apresentou como aliado de Daniel Vorcaro para intimidar vítimas.

A estrutura de vigilância e repressão também envolvia agentes do próprio Estado. A Polícia Federal identificou que a delegada Valéria Vieira Pereira da Silva e os policiais federais Anderson Wander da Silva Lima (da ativa) e Sebastião Monteiro Júnior e Francisco José Pereira da Silva (aposentados) atuavam no núcleo “A Turma”. Valéria e Francisco são suspeitos de extrair informações sigilosas do sistema e-Pol para repassá-las a Marilson Roseno da Silva, que liderava o grupo.

Em 2024, Marilson teria mobilizado três policiais federais para acessar indevidamente o conteúdo de um inquérito policial no qual Henrique Moura Vorcaro havia sido intimado. Documentos indicam que Anderson Wander da Silva Lima foi acionado para viabilizar esse acesso, reforçando a tese de que a organização utilizava a máquina pública para monitorar investigações de interesse do grupo.

Paralelamente, a operação identificou o grupo “Os Meninos”, com perfil tecnológico, voltado para ataques cibernéticos, invasões de dispositivos, derrubada de perfis e monitoramento telefônico ilegal. Ambos os núcleos, “A Turma” e “Os Meninos”, eram gerenciados por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, que executava ordens do núcleo central da organização.

Além de Henrique Vorcaro, os mandados de prisão preventiva foram expedidos contra David Henrique Alves, Victor Lima Sedlmaier, Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos, Manoel Mendes Rodrigues, Anderson Wander da Silva Lima e Sebastião Monteiro Júnior.

A defesa de Henrique Vorcaro afirmou que a decisão judicial se baseia em fatos cuja legalidade e racionalidade econômica ainda não foram comprovadas no processo, alegando que a medida foi grave e desnecessária.

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