PF revela que ex-banqueiro pagou hospedagem de Ciro Nogueira e Hugo Motta em Lisboa
A Polícia Federal informou ao STF que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro pagou 3.155,71 euros pela hospedagem do senador Ciro Nogueira e do deputado Hugo Motta em Lisboa. A investigação aponta que Nogueira recebeu R$ 6 milhões e viagens privadas em troca da apresentação de emenda legislativa favorável ao Banco Master
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Investigações da Polícia Federal, no âmbito da Operação Compliance Zero, revelaram que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro custeou a hospedagem do senador Ciro Nogueira (PP-PI) e do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), durante uma viagem a Lisboa em junho de 2024. As evidências, enviadas ao Supremo Tribunal Federal (STF), incluem mensagens, áudios e uma fatura de 3.155,71 euros (aproximadamente R$ 18,2 mil na cotação do período) referente às diárias no Four Seasons Hotel Ritz Lisbon, onde os parlamentares ficaram em suítes júnior.
O material coletado indica que Vorcaro, atualmente preso em Brasília, buscou garantir sigilo absoluto durante a estadia. Em áudio enviado ao auxiliar Leo Serrano, o ex-banqueiro exigiu o fechamento da área em frente ao restaurante do hotel e o controle de acesso nos elevadores para evitar a presença de pessoas não autorizadas, justificando a medida com base em uma experiência anterior em Nova York.
A PF descreve a relação entre Vorcaro e Ciro Nogueira como "funcional e instrumental". De acordo com os investigadores, o senador teria recebido pagamentos mensais que totalizaram R$ 6 milhões entre 2024 e 2025, além de ter viagens para Paris, Nova York e Courchevel pagas em jatos particulares. Em contrapartida, Nogueira teria apresentado a Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023, conhecida como "Emenda Master", cujo texto foi redigido pela assessoria do Banco Master para beneficiar o fundo garantidor da instituição.
Hugo Motta admitiu a interlocutores ter utilizado o jato de Vorcaro para ir a Lisboa e afirmou estar tranquilo, defendendo que a apuração seja isenta e imparcial. Ciro Nogueira não se manifestou até a divulgação dos documentos. A Operação Compliance Zero apura supostas fraudes ligadas ao Banco Master, e Vorcaro já teve duas propostas de colaboração premiada recusadas pela PF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).