Justiça

PGR investiga deputado Mario Frias por suspeita de "rachadinha" em gabinete parlamentar

25 de Maio de 2026 às 18:02

A Procuradoria-Geral da República investiga o deputado Mario Frias (PL-SP) por suspeita de desvio de salários de assessores para fins privados. O pedido de apuração, baseado em relatos e documentos bancários de uma ex-secretária, cita crimes como lavagem de dinheiro e peculato

A Procuradoria-Geral da República (PGR) foi acionada para investigar o deputado federal Mario Frias (PL-SP) por suspeitas de "rachadinha" em seu gabinete. O pedido de apuração foi protocolado pelo deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), que aponta a possível ocorrência de crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa, concussão e peculato. Paralelamente, o advogado da bancada do PT na Câmara também solicitou a abertura de um procedimento contra o parlamentar nesta segunda-feira (25).

A representação fundamenta-se em evidências de que Gardênia Morais, secretária parlamentar entre fevereiro de 2023 e maio de 2024, realizava repasses mensais de seus salários. A ex-funcionária afirmou que a prática era de conhecimento de Frias e que outros assessores também devolviam valores. Segundo Alencar, a utilização da verba de gabinete — que soma R$ 165,8 mil mensais — para custear despesas privadas de parentes do deputado ou compelir funcionários a devolverem salários configura desvio de finalidade de recursos públicos.

Documentos bancários detalham a dinâmica das transferências. Gardênia Morais movia o salário recebido no Banco do Brasil para uma conta no Itaú, de onde efetuava PIX para Raphael Azevedo, chefe de gabinete de fevereiro de 2023 a fevereiro de 2024, e para familiares deste. Entre os registros constam repasses de R$ 4.600 em fevereiro de 2023; R$ 5.000 em março; R$ 1.500 em abril; e R$ 4.000 em março de 2024 para Azevedo. Foram identificados ainda pagamentos para a ex-mulher de Azevedo, incluindo quatro transferências mensais de R$ 3.200 entre agosto e novembro de 2023, além de repasses em maio (R$ 3.200) e julho (R$ 3.200 e R$ 816) para ela e outra parente.

As evidências também apontam transferências diretas para a família do parlamentar. Em 29 de janeiro de 2024, a ex-secretária transferiu R$ 1.000 para a mãe do deputado, Maria Lucia Frias. Em dezembro de 2023, ela quitou uma fatura de cartão de crédito de Juliana Frias, esposa do parlamentar, no valor de R$ 4.832,32. Há ainda o registro de um saque de R$ 49.999,99 em dinheiro vivo, realizado em 27 de março de 2024, cujo destino a ex-funcionária afirmou ter sido entregue, mas não especificou.

A ex-secretária relatou ainda ter contraído cinco empréstimos consignados que totalizam R$ 174,8 mil. Ela declarou que apenas R$ 35 mil foram para uso pessoal, enquanto os outros quatro empréstimos, que somam aproximadamente R$ 140 mil, não foram pagos.

Devido à prerrogativa de foro, o caso deve ser conduzido pelo órgão chefiado por Paulo Gonet, a quem cabe a eventual denúncia junto ao Supremo Tribunal Federal (STF). O atual chefe de gabinete de Mario Frias, Diego Ramos, afirmou desconhecer as suspeitas por ter assumido o cargo após o período citado e sugeriu que ex-funcionários estariam tentando aproveitar a exposição midiática. O deputado Mario Frias e o ex-chefe de gabinete Raphael Azevedo não se manifestaram.

Com informações de G1

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