PGR rejeita nova proposta de delação de ex-banqueiro acusado de fraudes de R$ 12 bilhões
A PGR e a PF rejeitaram a segunda proposta de delação de Daniel Vorcaro por falta de ineditismo e de compromisso de restituição de R$ 60 bilhões. O ex-banqueiro é acusado de liderar fraudes de R$ 12 bilhões e a PF solicitou sua transferência para o Complexo da Papuda
A Procuradoria-Geral da República (PGR) comunicou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (15), a rejeição de uma segunda proposta de delação premiada enviada pela defesa de Daniel Vorcaro. O ex-banqueiro, que comandava o Banco Master durante a liquidação da instituição, permanece preso em Brasília sob a acusação de liderar um esquema de fraudes financeiras estimado pela Polícia Federal (PF) em R$ 12 bilhões.
A negativa do órgão ministerial acompanhou o entendimento da Polícia Federal, que já havia descartado a proposta na semana anterior. Para o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e a equipe de procuradores do caso, as informações trazidas pelos advogados de Vorcaro não apresentavam ineditismo, limitando-se a repetir dados já revelados pelas investigações ou, em certos pontos, contradizendo as evidências colhidas.
Um dos entraves centrais para a formalização do acordo foi a ausência de um compromisso concreto de restituição financeira. A PGR condicionava o avanço das tratativas à sinalização de que o ex-banqueiro devolveria ao menos R$ 60 bilhões aos cofres públicos.
Diante da nova recusa, a Polícia Federal solicitou que Vorcaro seja transferido da Superintendência da corporação em Brasília para o Complexo da Papuda. A PF argumenta que a permanência do empresário na sede do órgão poderia prejudicar as apurações. O pedido de transferência aguarda a manifestação da PGR e a decisão final do ministro André Mendonça, relator do processo no STF.
No fluxo de acordos de colaboração, a PGR conduz a acusação e as negociações, enquanto a PF valida as informações. Cabe ao ministro relator a homologação do ajuste e a definição de como os valores ressarcidos serão aplicados. Conforme diretriz do Supremo estabelecida em 2024, a prioridade é o ressarcimento à União, resguardando-se o direito das vítimas. Nesse cenário, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) figura como um dos principais interessados na recuperação dos recursos, visto que a entidade privada já desembolsou bilhões para indenizar investidores após a quebra do Banco Master.