Justiça

PM de São Paulo transfere para a reserva oficial acusado de feminicídio contra a esposa

10 de Junho de 2026 às 18:20

A Polícia Militar de São Paulo transferiu para a reserva o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso preventivamente por feminicídio e fraude processual. A decisão foi publicada no Diário Oficial e não impede punições disciplinares ou penais. O oficial é acusado de matar a esposa, a soldado Gisele Alves Santana, em fevereiro

PM de São Paulo transfere para a reserva oficial acusado de feminicídio contra a esposa
© GISELE ALVES SANTANA/INSTAGRAM

A Polícia Militar de São Paulo oficializou, nesta terça-feira (9), a transferência para a reserva do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto. A medida, que equivale à aposentadoria e foi assinada pelo coronel Antonio Thomazelli Júnior, diretor de Inatividade e Pensão Militar, foi publicada no Diário Oficial do Estado, concretizando uma decisão previamente anunciada em portaria.

O oficial está preso preventivamente desde 18 de março, sob acusações de fraude processual e feminicídio da soldado Gisele Alves Santana, sua esposa. O crime ocorreu em 18 de fevereiro, em um apartamento do casal na capital paulista, onde a vítima foi encontrada morta com um disparo na cabeça. Embora o tenente-coronel tenha reportado o caso como suicídio ao acionar o socorro, a natureza da ocorrência foi alterada para morte suspeita. Laudos do Instituto Médico Legal (IML) apontaram agressões que contradizem a tese de suicídio, versão contestada pela família da soldado desde o início das investigações.

A Polícia Militar afirmou que a transferência para a reserva segue a legislação vigente e não obstrui eventuais punições disciplinares ou penais. A corporação esclareceu que o vínculo financeiro do oficial agora é com a São Paulo Previdência (SPPrev). A perda da remuneração, do posto e da patente depende de uma decisão definitiva do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo.

No âmbito administrativo e criminal, a Corregedoria da PM e a Polícia Civil já finalizaram seus respectivos inquéritos, que foram encaminhados ao Judiciário. Paralelamente, tramita um Conselho de Justificação, instaurado em 31 de março de 2026 e publicado no Diário Oficial, que segue em fase de instrução de forma independente do processo criminal.

A defesa da vítima criticou a medida, argumentando que a manutenção dos pagamentos ao acusado, custeados pelos tributos da população, configura um privilégio diante da gravidade do crime. O advogado da família ressaltou, porém, que a aposentadoria não impedirá a conclusão do Conselho de Justificação, processo que visa a demissão do oficial.

Com informações de Agência Brasil

Notícias Relacionadas