Justiça

Polícia Civil interroga Jair Bolsonaro em Brasília sobre apreensão de pistola Glock 9mm

23 de Junho de 2026 às 06:18

A Polícia Civil do Distrito Federal interroga Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar, sobre a apreensão de uma pistola Glock 9mm em veículo de seu segurança. O armamento foi recolhido por falta de documentação no carro, embora o registro esteja regular. O depoimento presencial foi determinado pelo ministro Alexandre de Moraes

Polícia Civil interroga Jair Bolsonaro em Brasília sobre apreensão de pistola Glock 9mm
WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO

A Polícia Civil do Distrito Federal colhe, nesta terça-feira, o depoimento presencial do ex-presidente Jair Bolsonaro em seu condomínio em Brasília, onde cumpre prisão domiciliar. O interrogatório integra o inquérito sobre a apreensão de uma pistola Glock 9mm, registrada em nome do político, ocorrida durante uma blitz da Polícia Militar na última segunda-feira (15).

O armamento estava no veículo conduzido por Estácio Leite da Silva Filho, militar do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) cedido à Casa Civil para a segurança de Bolsonaro. A arma foi recolhida porque o Certificado de Registro de Arma de Fogo (Craf) não estava presente no carro, embora a consulta ao sistema do Exército tenha confirmado a regularidade do registro. Em depoimento já prestado, o militar afirmou que transportava a pistola para a realização de reparos, com posterior devolução ao ex-presidente.

O ministro Alexandre de Moraes, relator da pena de Bolsonaro, indeferiu a solicitação da polícia para que a oitiva ocorresse por videoconferência, justificando a existência de restrições legais ao uso de comunicações eletrônicas.

A defesa de Bolsonaro informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a própria equipe de segurança havia deixado a arma inoperante para mitigar riscos, considerando a saúde mental do ex-presidente. Segundo os advogados, Bolsonaro teria manipulado a pistola e constatado que o mecanismo de disparo não funcionava regularmente, motivo pelo qual solicitou que um dos militares levasse o objeto para conserto.

Atualmente, Jair Bolsonaro cumpre uma pena de 27 anos e 3 meses de prisão. Desde 24 de março, ele está em regime domiciliar humanitário, medida autorizada por Moraes por um período inicial de 90 dias para tratamento de broncopneumonia. O histórico do ex-presidente inclui a tentativa de violar a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda em 22 de novembro de 2025, episódio que a defesa atribuiu a alucinações e paranoia decorrentes de medicação.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil do DF com acompanhamento do STF, e as condutas de Bolsonaro e do militar serão enquadradas conforme as evidências reunidas no inquérito.

Com informações de G1

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