Polícia e Ministério Público investigam se verbas da Prefeitura de São Paulo financiaram filme sobre Bolsonaro
Polícia Civil de São Paulo e Ministério Público investigam se R$ 108 milhões de um contrato da Prefeitura com a ONG Instituto Conhecer Brasil foram desviados para o filme "Dark Horse". A suspeita envolve a empresária Karina Gama, com custos de produção estimados em R$ 75,1 milhões. O senador Flávio Bolsonaro também é citado em negociações financeiras da obra
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A Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público investigam se recursos públicos provenientes de um contrato municipal foram desviados para financiar "Dark Horse", longa-metragem sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A suspeita recai sobre a empresária Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora Go UP Entertainment e da ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidades que compartilham o mesmo endereço.
A investigação foca em um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo, sob a gestão de Ricardo Nunes, e a ONG ICB para a instalação de pontos de wi-fi em áreas periféricas da capital. O acordo foi estabelecido em junho de 2024, embora a instituição nunca tivesse realizado serviços semelhantes anteriormente. Paralelamente, a Go UP Entertainment não possuía histórico de produções cinematográficas no Brasil antes de iniciar o filme bolsonarista.
De acordo com um laudo elaborado pelo Instituto de Perícia Investigativa (IPI) a pedido da defesa de Karina Gama, o custo do filme teria sido de ao menos R$ 75,1 milhões (US$ 13,39 milhões). O documento, assinado pelo perito Anísio Costa Castelo Branco, detalha que R$ 54 milhões foram gastos no exterior e R$ 20,9 milhões no Brasil, apesar de as filmagens terem ocorrido em território nacional. O relatório baseou-se em planilhas e extratos da ONG, mas não apresenta notas fiscais, recibos ou a comprovação da origem dos valores gastos internamente.
A defesa de Karina Gama sustenta que não houve entrada de verbas públicas ou repasses governamentais na produção. Em declarações anteriores, a empresária afirmou que o orçamento do projeto, atualmente em fase de pós-produção, gira em torno de US$ 13 milhões, sendo que 90% desse montante teria sido viabilizado por Daniel Vorcaro. O banqueiro, atualmente preso por causar um prejuízo de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), teria atuado como intermediador de verbas, destinando R$ 61 milhões ao filme por meio de um fundo nos Estados Unidos.
As negociações financeiras envolveram o senador Flávio Bolsonaro, que teria pressionado por pagamentos e solicitado recursos. Há informações de que o parlamentar negociou o repasse de US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 134 milhões na cotação da época) para a obra.
A conduta de Karina Gama também é questionada na prestação de contas junto à Prefeitura de São Paulo, devido à apresentação de notas fiscais sem valor legal.