Justiça

Polícia e Ministério Público prendem dez pessoas por lavagem de dinheiro vinculada à Al-Qaeda no Rio

15 de Julho de 2026 às 09:06

A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro prenderam 10 pessoas na Operação Hawala, que investiga a lavagem de R$ 100 milhões do tráfico de drogas. A ação apura a possível conexão do grupo criminoso com a rede terrorista Al-Qaeda

Polícia e Ministério Público prendem dez pessoas por lavagem de dinheiro vinculada à Al-Qaeda no Rio
Chao Soi Cheong/AP/Arquivo

Operação conjunta entre a Polícia Civil do Rio de Janeiro e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (15), ações para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro vinculado a facções criminosas. A investigação, denominada Operação Hawala, apurou a movimentação de ao menos R$ 100 milhões provenientes do tráfico de drogas.

Até o momento, a ofensiva resultou na prisão de 10 pessoas. Um dos pontos centrais da apuração é a possível conexão do grupo criminoso com a Al-Qaeda, rede terrorista internacional.

Contexto da Al-Qaeda

A organização foi estabelecida no final dos anos 1980 por Osama bin Laden, na cidade de Peshawar, no Paquistão. O grupo surgiu a partir de sugestões de militantes e do mentor espiritual de Bin Laden, Abdallah Azzam, que utilizava o termo "al-Qaeda" (que em árabe pode significar base, alicerce ou pedestal) para descrever o papel de voluntários estrangeiros que lutavam no Afeganistão contra a invasão soviética iniciada em 1979.

A trajetória de Bin Laden envolveu passagens pela Arábia Saudita, em 1990, e pelo Sudão, entre 1991 e 1996, antes de se fixar definitivamente no Afeganistão. Nesse país, ele se aliou ao Talibã, grupo que havia implantado um governo islâmico radical em Cabul em 1996. Sob a proteção de Mullah Mohammed Omar, líder do Talibã, a Al-Qaeda consolidou sua atuação em uma teocracia puritana reconhecida na época apenas por Paquistão, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Atuação Global e Impactos

A rede tornou-se globalmente conhecida após os ataques de 11 de setembro de 2001, quando 19 integrantes do grupo sequestraram quatro aviões nos Estados Unidos, atingindo o Pentágono e as torres do World Trade Center. O evento provocou a invasão do Afeganistão pelos americanos para desmantelar as bases da organização e derrubar o regime do Talibã.

Após a invasão, as lideranças da Al-Qaeda migraram para áreas tribais na fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão. A organização é creditada por diversos atentados internacionais, incluindo:

  • O ataque ao metrô de Madri, em março de 2004, com 191 mortos;
  • A ofensiva ao sistema de transporte público de Londres, em julho de 2005;
  • O atentado suicida que vitimou a ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Buttho.

Devido a uma estrutura descentralizada, o número exato de integrantes é impreciso, embora estimativas dos Estados Unidos apontem para centenas ou milhares de militantes. Relatórios do Departamento de Estado americano de 2008 indicam que a rede absorveu membros de grupos no Oriente Médio, África, Europa, Ásia Central e Sul da Ásia, mantendo o objetivo de combater a influência ocidental em países muçulmanos e planejar ataques contra nações do Ocidente.

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