Justiça

Polícia Federal abrirá três inquéritos para apurar irregularidades no financiamento de cinebiografia de Jair Bolsonaro

26 de Junho de 2026 às 12:02

A Polícia Federal abrirá três inquéritos para investigar irregularidades no financiamento do filme "Dark Horse", incluindo repasses de R$ 61 milhões e o uso de emendas parlamentares. O ministro André Mendonça relatará as apurações sobre transferências nos Estados Unidos, enquanto o ministro Flávio Dino analisa a destinação de verbas a entidades da produtora Go Up

A Polícia Federal deve instaurar três inquéritos nos próximos dias para apurar irregularidades no financiamento do filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. As investigações concentram-se em repasses financeiros, no destino de verbas nos Estados Unidos e na alocação de emendas parlamentares para entidades ligadas à produtora da obra.

Uma das frentes investigativas foca em R$ 61 milhões transferidos por Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, a pedido do senador Flávio Bolsonaro. O montante teria sido destinado a um fundo de financiamento do filme nos EUA via Entre Investimentos e Participações, empresa suspeita de integrar fraudes do Banco Master. O senador, pré-candidato à Presidência, nega irregularidades e afirma ter solicitado apenas um financiamento privado para a produção.

A definição do relator no Supremo Tribunal Federal (STF) era o passo pendente para o início formal dessa apuração. O ministro Edson Fachin designou André Mendonça para a relatoria, que já conduz outros inquéritos do caso Master. A escolha ocorreu após o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) pleitear que o ministro Alexandre de Moraes assumisse o caso, sob o argumento de que parte do dinheiro de Vorcaro teria bancado a permanência do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Esta última hipótese é considerada complexa pela PF, pois exigirá cooperação jurídica internacional para a quebra de sigilos em território americano.

Paralelamente, o ministro Flávio Dino conduz, desde 15 de maio, uma apuração preliminar sobre a destinação de emendas parlamentares a entidades vinculadas à produtora do filme, a Go Up. A expectativa é que esse procedimento evolua para um inquérito. A suspeita é de que parlamentares do PL, incluindo os deputados Bia Kicis e Marcos Pollon, e os ex-deputados Alexandre Ramagem e Carla Zambelli, tenham enviado recursos a entidades da empresária Karina da Gama para financiar a obra indiretamente.

Entre as irregularidades apontadas está o repasse de R$ 2,6 milhões em "emendas PIX" para a Academia Nacional de Cultura (ANC), instituição de propriedade de Karina da Gama. Além disso, o deputado Mario Frias (PL-SP), envolvido na produção da cinebiografia, firmou contratos com empresas da empresária utilizando verbas da Câmara. Todos os parlamentares citados negam qualquer irregularidade. O caso também é objeto de auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU).

Com informações de G1

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