Justiça

Polícia Federal avalia que nova proposta de delação de Daniel Vorcaro dificilmente será aceita

08 de Junho de 2026 às 09:06

A Polícia Federal avalia a rejeição de nova proposta de delação de Daniel Vorcaro por falta de fatos inéditos. A defesa ofereceu elevar a devolução de recursos para R$ 60 bilhões, enquanto a perícia aponta crimes de corrupção e organização criminosa. O ministro André Mendonça, do STF, é o responsável pela decisão final sobre o acordo

A Polícia Federal avalia que a nova proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, dificilmente será aceita. O anexo complementar entregue pela defesa na última semana não trouxe elementos inéditos que pudessem alterar a percepção dos investigadores sobre o caso. Embora o material mencione repasses ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) e à produção do filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, a PF considera que tais informações não são novas e foram incluídas apenas como justificativa.

A percepção dos investigadores é de que o banqueiro tenta preservar figuras públicas e não apresentou fatos relevantes para o avanço das apurações. Essa análise ecoa a rejeição de uma primeira versão do acordo, ocorrida no mês passado. Atualmente, as negociações ocorrem conjuntamente entre a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR), com foco técnico na devolução de recursos e na comprovação de atos de ofício de autoridades, sem a definição de alvos ou exclusões prévias. Em 22 de maio, representantes de Vorcaro indicaram a disposição de elevar o valor a ser devolvido aos cofres públicos de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões, caso a colaboração seja concretizada.

A complexidade do caso foi ampliada após a PF apreender mais de oito aparelhos celulares do investigados. A perícia inicial de parte desses dispositivos revelou que a atuação de Vorcaro extrapola fraudes financeiras, abrangendo corrupção, organização criminosa e a utilização de uma milícia privada para acessar dados sigilosos e atacar adversários.

A decisão final sobre a homologação do acordo está sob a responsabilidade do ministro André Mendonça, relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado tem acompanhado as apresentações da defesa e se reuniu com os advogados na semana passada, com novo encontro previsto com o advogado Sérgio Leonardo para os próximos dias.

Paralelamente, a defesa de Vorcaro manteve reuniões diárias com o banqueiro nas últimas duas semanas, com encontros que chegaram a superar seis horas de duração. No entanto, a partir de segunda-feira (15), será retomado o limite de 30 minutos diários para as visitas dos advogados ao investigado.

Com informações de G1

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