Justiça

Polícia Federal e autoridades bolivianas prendem Gerson Palermo em Santa Cruz de La Sierra

26 de Maio de 2026 às 15:08

Gerson Palermo, foragido há seis anos, foi preso nesta terça-feira (26) em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, em operação conjunta entre a Polícia Federal e autoridades locais. Investigações apontam a cidade como base de operações do PCC e refúgio para lideranças criminosas

A prisão de Gerson Palermo, nesta terça-feira (26), em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, reacendeu o alerta sobre a utilização da cidade como reduto estratégico do Primeiro Comando da Capital (PCC). O traficante, que estava foragido há seis anos, foi capturado em uma operação conjunta entre a Polícia Federal brasileira e a força boliviana de combate ao narcotráfico.

Investigações conduzidas pelo Ministério Público e pela Polícia Federal indicam que a localidade funciona como base para a proteção de lideranças criminosas e como centro de operações para o tráfico internacional de cocaína. Nesse cenário, integrantes da facção mantêm um padrão de vida luxuoso, residindo em mansões e condomínios fechados, além de frequentarem estabelecimentos comerciais da região sem despertar a atenção das autoridades locais.

Um dos nomes centrais nessa estrutura é Sérgio Luiz de Freitas Filho, conhecido pelos apelidos “Mijão”, “Xixi” ou “2X”. Apontado como o principal líder do PCC que permanece em liberdade, ele vive há mais de dez anos sob identidade falsa. Registros apontam que Freitas Filho já residiu em ao menos seis imóveis de alto padrão na cidade, com aluguéis que chegaram a custar quase R$ 30 mil mensais.

A cidade também serviu de passagem ou abrigo para outros nomes ligados ao grupo, como Tuta — capturado em maio deste ano ao tentar renovar um documento falso —, Fuminho, detido em Moçambique, e André do Rap, que segue foragido. O jornalista investigativo Guider Arancibia, que sofre ameaças de morte, afirma que a região abriga empresários que camuflam atividades do narcotráfico internacional.

Apesar de a Polícia Federal declarar que mantém monitoramento constante de foragidos e cooperação com o governo boliviano, Arancibia sustenta que a corrupção impede a execução de decisões judiciais vindas do Brasil. Esse contexto de insegurança e a influência da facção na região levaram Jorge Quiroga, candidato de direita na disputa presidencial boliviana deste ano, a incluir o combate ao PCC em suas promessas de campanha.

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