Justiça

Polícia Federal nega proposta de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro no caso Master

21 de Maio de 2026 às 06:27

A Polícia Federal rejeitou a proposta de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro por considerar as informações redundantes e incompletas. O investigado foi transferido para uma cela comum na Superintendência da PF em Brasília nesta terça-feira (19)

Polícia Federal nega proposta de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro no caso Master
Jornal Nacional/ Reprodução

A Polícia Federal negou a proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão foi formalizada aos advogados do investigado e ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que atua como relator do caso Master. Embora a PF tenha rejeitado o acordo, a Procuradoria-Geral da República (PGR) mantém a prerrogativa de analisar a proposta individualmente, já que as negociações ocorriam de forma conjunta entre as duas instituições e o órgão ministerial ainda não se manifestou.

A recusa da Polícia Federal baseia-se na baixa qualidade do material entregue pela defesa. Investigadores consideraram que as informações eram redundantes, repetindo diálogos e situações já conhecidos por meio do inquérito da "Operação Compliance Zero", que resultou na primeira prisão de Vorcaro. Além disso, a PF e a PGR apontaram que o banqueiro omitiu nomes de lideranças da organização criminosa que já haviam sido identificadas pelas autoridades, sugerindo que a estratégia de Vorcaro seria proteger pessoas próximas.

O acordo, cuja proposta preliminar surgiu há cerca de um mês, tinha como pilares a recuperação de recursos e a comprovação de atos de ofício de autoridades citadas, seguindo uma lógica técnica sem exclusões ou alvos pré-definidos. A documentação final havia sido entregue no início deste mês via pen drive, após Vorcaro assinar um termo de confidencialidade.

Paralelamente às negociações, a perícia em oito celulares apreendidos com o banqueiro revelou que a atuação de Vorcaro extrapolava fraudes financeiras. As evidências indicam a existência de uma organização criminosa voltada à corrupção e ao uso de uma milícia privada para obtenção de dados sigilosos e ataques a adversários.

Em razão desses fatos, Vorcaro foi transferido nesta terça-feira (19) para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde passará a seguir as normas internas de visitação. O banqueiro estava acomodado em uma sala de Estado-maior — espaço anteriormente utilizado para a detenção do ex-presidente Jair Bolsonaro entre novembro de 2025 e janeiro deste ano. Anteriormente, em 19 de março, ele havia sido movido da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da PF, movimento que ocorreu um dia após sua defesa manifestar interesse formal em firmar a delação.

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