Polícia Federal prende líder de grupo especializado em ataques cibernéticos na Operação Compliance Zero
A sexta fase da Operação Compliance Zero prendeu David Henrique Alves, líder do grupo de ataques cibernéticos "Os Meninos", e os subordinados Rodrigo Pimenta Campos e Victor Sedlmaier. O grupo atuava sob ordens de Luiz Phillipi Mourão para atender interesses de Daniel Vorcaro. Alves recebia cerca de R$ 35 mil mensais pela coordenação dos hackers
A sexta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (14), resultou na prisão de David Henrique Alves, apontado pela Polícia Federal como o líder do grupo "Os Meninos". A organização é especializada em monitoramento digital ilegal, invasões telemáticas, derrubada de perfis e ataques cibernéticos, atuando em conjunto com "A Turma", núcleo responsável por ameaças a adversários e ao qual pertencia Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como "Sicário".
De acordo com as investigações, David Alves coordenava a operação de agentes hackers sob as ordens de "Sicário" para atender aos interesses de Daniel Vorcaro, recebendo aproximadamente R$ 35 mil mensais pelos serviços. A operação também efetuou as prisões preventivas de Rodrigo Pimenta Campos e Victor Sedlmaier, integrantes subordinados a Alves.
Pimenta Campos é descrito como operador auxiliar do braço hacker e colaborador próximo da estrutura de monitoramento. Já Sedlmaier, que afirmou em depoimento trabalhar para David Alves desde julho de 2024, realizava atividades que iam desde o conserto de computadores e recarga de celulares até o desenvolvimento de software de inteligência artificial e o deslocamento de veículos para oficinas.
A Polícia Federal detalhou que, no dia 5 de março — data posterior à terceira fase da operação, quando Vorcaro e "Sicário" foram detidos —, Sedlmaier e Pimenta Campos realizaram a limpeza do apartamento de David Alves.
Outro ponto central da investigação envolve a tentativa de fuga de um casal em 4 de março, interceptado pela Polícia Rodoviária Federal em Minas Gerais enquanto dirigiam um Range Rover de "Sicário" em direção a São Paulo. Durante a abordagem, realizada por ordem do Supremo Tribunal Federal, foi encontrado no veículo um documento de identidade em nome de Marcelo Souza Gonçalves, mas com a foto de Victor Sedlmaier. Para a PF, o uso de documentação ideologicamente falsa vincula Sedlmaier não apenas ao núcleo hacker, mas a atividades de ocultação e suporte ao crime.
Um dos detidos na ação desta quinta-feira havia sido preso anteriormente, no início de março, enquanto dirigia o carro de "Sicário", vindo a cometer suicídio posteriormente. As prisões preventivas desta fase contaram com a concordância da Procuradoria-Geral da República.