Justiça

Polícia Militar desocupa saguão da Reitoria da USP após manifestação de estudantes

10 de Maio de 2026 às 15:11

A Polícia Militar desocupou o saguão da Reitoria da USP na madrugada de domingo (10), encerrando um protesto de três dias. O DCE relatou seis feridos e o uso de gás e cassetetes, enquanto a PM registrou danos ao patrimônio e apreendeu objetos e entorpecentes. O movimento reivindicava melhorias em restaurantes, moradias e auxílios estudantis

Polícia Militar desocupa saguão da Reitoria da USP após manifestação de estudantes
© CECÍLIA BASTOS/JORNAL DA USP

A Polícia Militar desocupou, na madrugada deste domingo (10), o saguão da Reitoria da Universidade de São Paulo (USP). A ação, que contou com o efetivo de 50 policiais, encerrou uma ocupação iniciada na quinta-feira (7) por cerca de 150 pessoas.

Enquanto a corporação afirmou que não houve feridos, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP relatou que seis pessoas foram encaminhadas à UPA Rio Pequeno. De acordo com a entidade, quatro estudantes permaneceram internados, incluindo um paciente com fratura no nariz, e a Polícia Militar teria utilizado cassetetes, gás lacrimogênio e bombas de efeito moral.

Após a retomada do espaço, a PM registrou danos ao patrimônio público, como a quebra de portas de vidro, avarias em mesas, carteiras escolares e na catraca de entrada, além da derrubada do portão de acesso. Durante a operação, foram apreendidos objetos contundentes — como porretes, bastões, estiletes, canivetes e facas — e entorpecentes. A Polícia Militar informou que manterá o policiamento no local para preservar a ordem e a integridade do prédio, comprometendo-se a apurar eventuais denúncias de excessos.

O movimento estudantil reivindicava melhorias nos restaurantes universitários e nas moradias, além de reajuste no valor do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil.

Em nota, a USP lamentou o ocorrido e afirmou que não foi comunicada previamente sobre a operação de reintegração de posse. A universidade declarou que manteve a disposição para o diálogo e que as negociações haviam atingido um limite, visto que diversos itens da pauta foram atendidos e sete grupos de trabalho foram criados para analisar a viabilidade de outras demandas. A instituição justificou a trava nas conversas devido à insistência em pedidos impossíveis de serem atendidos, a presença de pessoas externas à comunidade acadêmica e pautas que fogem ao âmbito de atuação da universidade. A Reitoria afirmou que permanece aberta a novos diálogos para consolidar os encaminhamentos já realizados, condicionando a retomada do debate à manutenção do direito de ir e vir em todas as dependências do campus.

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