Justiça

Policiais militares enfrentam julgamento em Guarulhos por assassinatos de empresário e motorista de aplicativo

22 de Junho de 2026 às 18:00

Três policiais militares são julgados no Fórum Criminal de Guarulhos pelos assassinatos de Vinicius Gritzbach e Celso Araujo Sampaio de Novais. O Ministério Público acusa dois agentes de efetuarem os disparos e um tenente de auxiliar na logística e fuga. O júri popular ouve testemunhas de acusação e defesa para decidir sobre a condenação ou absolvição dos réus

Policiais militares enfrentam julgamento em Guarulhos por assassinatos de empresário e motorista de aplicativo
© PAULO PINTO/AGÊNCIA BRASIL

Três policiais militares, detidos no Presídio Militar Romão Gomes, enfrentam julgamento no Fórum Criminal de Guarulhos pelos assassinatos do empresário e delator Vinicius Gritzbach e do motorista de aplicativo Celso Araujo Sampaio de Novais. O tenente Fernando Genauro da Silva é acusado de transportar a dupla até o local do crime e auxiliar na fuga, enquanto o cabo Denis Antônio Martins e o soldado Ruan Silva Rodrigues são apontados pelo Ministério Público como os autores dos disparos de fuzil.

O processo, com previsão de duração de cinco dias, iniciou a fase de depoimentos com a oitiva de testemunhas de acusação. Entre elas, a viúva de Celso Novais relatou ao tribunal a precariedade financeira enfrentada após a morte do marido, que era o provedor da família, dificultando a manutenção do aluguel e despesas básicas do filho. O motorista, que transitava pelo aeroporto no momento do ataque, foi atingido no rim e no fígado, falecendo no dia seguinte à execução de Gritzbach.

A violência da ação foi detalhada por um perito criminal, que confirmou a detonação de ao menos 27 projéteis. Outras duas vítimas, que não possuíam vínculo com as vítimas ou com os réus, também depuseram. Um funcionário do aeroporto foi ferido na mão e uma passageira, que aguardava transporte no Terminal 2, foi atingida na região abdominal por estilhaços de bala.

O alvo principal do ataque, Vinicius Gritzbach, era réu por homicídio e suspeito de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC). Antes de ser morto, Gritzbach havia firmado um acordo de delação premiada com o Ministério Público de São Paulo, no qual indicou integrantes da organização criminosa e denunciou policiais por corrupção.

A estratégia processual conduzida pelos promotores Vania Caceres Stefanoni e Rodrigo Merli Antunes prevê a oitiva de dez testemunhas, das quais quatro já foram ouvidas. A defesa dos policiais, que arrolou 12 testemunhas, sustenta a inocência dos clientes e afirma que o inquérito foi manipulado.

Por solicitação das primeiras testemunhas, os réus foram impedidos de permanecer na sala durante os depoimentos iniciais. O rito do júri popular, composto por três mulheres e quatro homens, seguirá com a escuta das testemunhas de defesa e o interrogatório dos policiais. A decisão final sobre a condenação ou absolvição ocorrerá após a fase de debates entre a acusação e a defesa.

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