Justiça

Presidente do TSE suspende divulgação de pesquisa que indicava queda de votos de Flávio Bolsonaro

08 de Junho de 2026 às 15:14

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, suspendeu a divulgação de pesquisa do Instituto AtlasIntel que apontava queda nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro. A decisão, baseada em indícios de contaminação metodológica, será submetida ao plenário nesta terça-feira (9)

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, determinou nesta segunda-feira (8) a suspensão da divulgação e a retirada de conteúdo de uma pesquisa realizada pelo Instituto AtlasIntel. O levantamento, conduzido entre 13 e 18 de maio com 5.032 eleitores, indicava uma queda de cinco pontos nas intenções de voto do pré-candidato do Partido Liberal (PL), Flávio Bolsonaro. A decisão restringe a manutenção dos dados apenas nos canais oficiais da empresa.

A medida atende a um pedido do PL, que argumentou que a metodologia do instituto foi estruturada para induzir respostas negativas e criar uma narrativa acusatória contra o senador. O partido alegou que, das 49 perguntas do questionário, oito abordavam diretamente o Banco Master e foram apresentadas sequencialmente, utilizando técnicas de ancoragem, framing e priming para deformar a percepção do entrevistado antes da medição do voto.

A controvérsia central gira em torno do uso de um áudio vazado, no qual o senador solicitaria dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro. O PL sustenta que o material não possui prova de autenticidade e não poderia integrar a pesquisa. O partido detalhou que o questionário seguiu uma progressão deliberada, partindo do medo eleitoral e comparações com Lula até chegar a fraudes financeiras e ao impacto do vazamento na candidatura.

Kassio Nunes Marques fundamentou a decisão na existência de indícios de que as respostas foram contaminadas, comprometendo a técnica do levantamento. O ministro destacou que outras 27 pesquisas da AtlasIntel não utilizaram áudios nem apresentaram questionários com teor semelhante. Como consequência, o instituto deverá enviar documentação técnica complementar ao TSE para esclarecer a metodologia e o uso do áudio, enquanto o Ministério Público Eleitoral emitirá manifestação no processo.

Entre as questões consideradas indutoras pelo PL estão perguntas sobre quem o eleitor confia mais para administrar áreas do governo entre Lula e Flávio Bolsonaro, qual resultado eleitoral gera mais preocupação, qual grupo político estaria envolvido em fraudes no Banco Master e se o entrevistado tinha conhecimento ou havia ouvido o áudio vazado.

A decisão individual do presidente do TSE será submetida ao referendo do plenário na sessão desta terça-feira (9).

Paralelamente, Kassio Nunes Marques assumiu a relatoria de representações eleitorais no TSE que envolvem Flávio Bolsonaro e o caso do Banco Master, incluindo a produção do filme Dark Horse. A ação contra a AtlasIntel, protocolada em 19 de maio, foi o primeiro caso distribuído ao seu gabinete.

Houve uma movimentação processual atípica: em 22 de maio, o ministro publicou portaria designando a si mesmo e ao vice-presidente da Corte, André Mendonça, como juízes auxiliares para as eleições de 2026, função geralmente exercida por ministros juristas ou substitutos. No mesmo dia da publicação, Nunes Marques solicitou a redistribuição do processo entre os juízes auxiliares, e a ação retornou à sua relatoria após novo sorteio em 25 de maio.

Com informações de G1

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