Justiça

Senador Jaques Wagner é alvo de operação da Polícia Federal que investiga fraudes no Banco Master

19 de Junho de 2026 às 18:03

O senador Jaques Wagner é alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes e corrupção ligadas ao Banco Master. A Polícia Federal apura repasses de R$ 3,5 milhões, benefícios pessoais e atuação política do parlamentar, tendo apreendido US$ 49 mil em Brasília

Senador Jaques Wagner é alvo de operação da Polícia Federal que investiga fraudes no Banco Master
Reprodução

O senador Jaques Wagner (PT-BA) tornou-se um dos alvos da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal e autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação apura um esquema bilionário de fraudes, corrupção e lavagem de dinheiro vinculado ao Banco Master e ao seu ex-proprietário, Daniel Vorcaro.

A Polícia Federal suspeita que o parlamentar tenha recebido vantagens indevidas em troca de atuação política no Congresso Nacional. O foco da apuração é a proximidade entre Wagner e o ex-banqueiro Augusto Lima, apontado como aliado estratégico de Vorcaro. Entre os benefícios citados nos autos estão a aquisição de um imóvel de luxo em Salvador — operada pela empresa Epítome S.A. com recursos de fundos do Master —, a disponibilização de uma aeronave particular para viagem à Ilha da Paixão, em Candeias, e a compra de ingressos para shows da cantora Taylor Swift, em São Paulo e Los Angeles, totalizando R$ 63.339.

A PF também investiga repasses financeiros de R$ 3,5 milhões. O montante teria sido transferido da empresa PKL One Participações S.A., ligada ao grupo Master/Credcesta, para a BN Financeira Ltda., empresa vinculada à família do senador. Segundo a investigação, a BN Financeira teria sido constituída como microempresa com baixa capacidade operacional, mas recebeu valores expressivos. Mensagens interceptadas indicam que o enteado de Wagner, Eduardo Mendonça Sodré Martins, teria cobrado valores de Augusto Lima.

No campo legislativo, a PF apura se o senador atuou em favor de interesses do grupo financeiro, especificamente em relação a uma proposta para ampliar o limite do crédito consignado e a "Emenda Master" (Emenda nº 11 à PEC 65/2023), que propunha alterações no Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Durante a operação, foram apreendidos US$ 49 mil em espécie em um endereço de Brasília ligado ao senador. Jaques Wagner negou qualquer irregularidade e afirmou não ter relação com Daniel Vorcaro. Sobre o dinheiro, alegou que a quantia provém de diárias recebidas do Senado por viagens internacionais. O senador também informou ter recebido um telefonema de solidariedade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após a ação.

Em entrevista, Fernando Haddad, pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, defendeu a atuação da Polícia Federal, afirmando que a instituição está cumprindo seu papel investigativo. Haddad ressaltou que o presidente Lula determinou a independência de órgãos como o STF, o Ministério Público e o Banco Central para que a "maior fraude bancária do Brasil" fosse totalmente esclarecida. O ex-ministro da Fazenda argumentou que a investigação deve avançar independentemente de quem seja atingido, citando que outros nomes, como o senador Flávio Bolsonaro (PL), também aparecem na apuração e devem ter a oportunidade de prestar esclarecimentos.

A Operação Compliance Zero começou em novembro de 2025, após a descoberta de que o Banco Master emitia títulos de investimento sem garantias para atrair clientes, com prejuízos estimados em R$ 12 bilhões. A investigação foi expandida para incluir espionagem, ocultação de patrimônio e repasses a agentes políticos, atingindo também o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). Todos os envolvidos negam as acusações.

Notícias Relacionadas