Sete em cada dez brasileiros defendem que adolescentes que cometem crimes sejam punidos como adultos
Pesquisa Datafolha indica que 70% dos brasileiros defendem a punição de adolescentes como adultos, índice superior aos 65% registrados em 2022. O levantamento, realizado com 2.004 eleitores, aponta ainda que 85% da população concorda com a proibição do uso de drogas
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Sete em cada dez brasileiros defendem que adolescentes que cometem crimes sejam punidos como adultos, revela pesquisa do Datafolha divulgada na última sexta-feira (3). O índice, que era de 65% em 2022, subiu para 70%, evidenciando um endurecimento da opinião pública sobre a questão. No sentido oposto, a adesão à reeducação de menores infratores caiu de 34% para 27% no mesmo período, enquanto 3% dos entrevistados não opinaram.
Embora a percepção popular utilize o termo "crimes", o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) define juridicamente que condutas ilícitas praticadas por menores de 18 anos são atos infracionais.
O levantamento detalhou a concordância com a punição rigorosa conforme o perfil religioso e a preferência política para a eleição presidencial. Entre os evangélicos, 75% apoiam a punição como adulto e 24% defendem a reeducação. Entre os católicos, a divisão é de 72% a favor da punição e 25% a favor da reeducação.
No recorte por intenção de voto, a tendência de punição é mais acentuada entre eleitores de Flávio Bolsonaro, com 81% de apoio, contra 17% que preferem a reeducação. Já entre os eleitores de Lula, 61% defendem a punição como adulto e 37% optam pela reeducação.
A pesquisa também abordou a proibição de entorpecentes, mantendo um patamar consolidado de rejeição à descriminalização. Atualmente, 85% dos brasileiros concordam que o uso de drogas deve ser proibido devido às consequências para a sociedade, enquanto 13% acreditam que a proibição não deve ocorrer, pois as consequências recaem sobre o usuário. Outros 2% não souberam responder. Esses números apresentam estabilidade em relação a 2022, quando os índices eram de 83% e 15%, respectivamente, permanecendo dentro da margem de erro.
A coleta de dados ocorreu presencialmente nos dias 17 e 18 de junho, abrangendo 2.004 eleitores com 16 anos ou mais em 139 municípios. O estudo possui nível de confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026.