STF autoriza fase de operação que investiga suspeitas de vantagens econômicas recebidas por Jaques Wagner
O ministro André Mendonça autorizou a nona fase da Operação Compliance Zero para investigar o senador Jaques Wagner por suspeitas de vantagens econômicas recebidas de Augusto Ferreira Lima. A Polícia Federal apura o repasse de R$ 5,5 milhões a empresa de parentes do parlamentar, a compra de um imóvel de R$ 2,45 milhões e a atuação legislativa em temas de interesse do grupo Master. Durante buscas, a PF apreendeu US$ 49 mil na residência do senador

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18), com base em investigações da Polícia Federal. O foco da apuração é o senador Jaques Wagner (PT-BA), suspeito de ter recebido vantagens econômicas do banqueiro Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master.
Entre as irregularidades apontadas, a PF indica que Wagner teria recebido um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões. Para viabilizar a compra, Lima teria acionado Valério Marega Júnior, descrito como operador financeiro do Banco Master, com a participação de Daniel e David Lopes Monteiro, ligados ao núcleo jurídico-financeiro e empresarial da instituição. O senador admitiu ter pedido que Lima comprasse o imóvel no residencial Poème Horto para que ele o adquirisse posteriormente, alegando que a intenção era ajudar a filha na compra, mas ressaltou que não houve transferência patrimonial para seu nome.
A investigação aponta ainda outros benefícios, como o repasse de mais de R$ 5,5 milhões à BN Financeira, empresa gerida por parentes do parlamentar e considerada pelos investigadores o eixo de pagamentos destinados à família de Wagner. A PF cita também o uso gratuito de aeronaves custeadas por Lima e pelo Banco Master, além de ingressos para shows no exterior. Mensagens e áudios extraídos de celulares de Lima, apreendidos em novembro de 2025, revelam a combinação de encontros em uma ilha do banqueiro e questionamentos do senador sobre ingressos para um camarote em Los Angeles, adquiridos pela Reag Investimentos por R$ 63,33 mil.
No campo legislativo, a Polícia Federal sustenta que o senador atuou em temas regulatórios de interesse do grupo Master. Mendonça destacou na representação que Wagner teria mantido interlocução direta com Augusto Lima sobre a elevação da margem consignável de remuneração, apresentando a emenda nº 30 durante a tramitação da Medida Provisória nº 1.106/2022 — que resultou na Lei nº 14.431/2022, ampliando o crédito consignado para segurados do RGPS e beneficiários do BPC. O parlamentar também teria apresentado a Emenda nº 26 à PEC nº 65/2023, referente à autonomia do Banco Central.
Jaques Wagner negou ter favorecido interesses privados do grupo econômico. Ele argumentou que, como líder do governo, votou contra a "Emenda Master", proposta pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) para ampliar o limite do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Sobre o recebimento de links de emendas enviados por Lima, classificou a prática como normal no cotidiano parlamentar.
Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão em sua residência em Brasília, a PF apreendeu US$ 49 mil (aproximadamente R$ 250 mil). O senador confirmou a apreensão, mas afirmou que a quantia, guardada em envelopes com timbre do Senado, é composta por recursos próprios declarados no Imposto de Renda e diárias oficiais pagas em espécie para missões internacionais.
Wagner afirmou estar tranquilo, ressaltando que não é réu nem culpado, e garantiu a manutenção de sua candidatura ao Senado e de sua posição na liderança do governo federal. A defesa de Augusto Lima classificou as diligências como desnecessárias, afirmando que o banqueiro está à disposição das autoridades há seis meses e que os fatos apurados são lícitos.