STF mantém prisões preventivas de pai e primo de Daniel Vorcaro na Operação Compliance Zero
A Segunda Turma do STF manteve as prisões preventivas de Henrique e Felipe Vorcaro, investigados por fraudes bilionárias no Banco Master. Henrique é suspeito de operar financeiramente grupos de intimidação, enquanto Felipe é apontado como peça central do núcleo financeiro-operacional
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu manter as prisões preventivas de Henrique Moura Vorcaro e Felipe Vorcaro, pai e primo de Daniel Vorcaro, respectivamente. A decisão, referendando medidas determinadas pelo ministro André Mendonça, contou com os votos de Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques.
Henrique Vorcaro foi detido no mês passado sob a suspeita de atuar como operador financeiro e integrar o núcleo violento do grupo. A Polícia Federal investiga que ele teria contratado e remunerado estruturas denominadas “A Turma” e “Os Meninos”, utilizadas para a invasão de sistemas, obtenção de dados sigilosos e intimidação de terceiros. Documentos judiciais indicam que Henrique teria realizado repasses de aproximadamente R$ 400 mil e acionado esses grupos para monitorar o andamento das investigações.
Já Felipe Vorcaro foi preso em 7 de maio, no contexto da Operação Compliance Zero, sendo apontado pelos investigadores como peça central do núcleo financeiro-operacional. Ao detalhar a decretação das prisões, o ministro André Mendonça afirmou que ambos continuaram a cometer crimes, com base em mensagens trocadas em abril deste ano.
A Operação Compliance Zero apura um esquema de fraudes bilionárias no sistema financeiro, com foco em operações do Banco Master. A investigação da Polícia Federal aponta a emissão de títulos de crédito sem lastro e a promessa de rentabilidades acima dos padrões de mercado.
Divergindo do grupo, o ministro Gilmar Mendes votou pela substituição da prisão preventiva de Henrique Vorcaro por domiciliar. A proposta incluía o uso de tornozeleira eletrônica, proibição de mudança de endereço sem autorização, impedimento de contato com testemunhas e investigados, e saídas permitidas apenas para fins médicos. Para Felipe Vorcaro, Gilmar sugeriu a substituição da prisão por medidas cautelares, como o comparecimento periódico em juízo e as mesmas proibições de contato e mudança de residência.
Em sua argumentação, Gilmar Mendes questionou a manutenção da custódia de Henrique, observando que gestores do Banco Master foram presos em novembro e posteriormente soltos, enquanto o pai de Daniel Vorcaro, que não teria participado diretamente das fraudes, permanece detido. O ministro traçou um paralelo com a Operação Lava Jato e sugeriu que a prisão de Henrique poderia estar sendo utilizada como instrumento para pressionar Daniel Vorcaro a firmar um acordo de delação premiada.