STF tenta intimar deputado Mário Frias por repasse de R$ 2 milhões a instituto de filme
O STF tenta intimar o deputado Mário Frias (PL-SP) para prestar esclarecimentos sobre o repasse de R$ 2 milhões em emendas ao Instituto Conhecer Brasil. A investigação, solicitada por Tabata Amaral (PSB-SP), apura a destinação de verbas para a ONG que produziu o filme Dark Horse. O parlamentar nega o uso de dinheiro público na obra
O Supremo Tribunal Federal (STF) busca intimar o deputado Mário Frias (PL-SP) para prestar esclarecimentos sobre a destinação de R$ 2 milhões, via duas emendas parlamentares, ao Instituto Conhecer Brasil. A ONG é presidida por Karina Ferreira da Gama, responsável pela produção do filme *Dark Horse*, obra que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A investigação foi motivada por um pedido da deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que solicitou a apuração de repasses de emendas para um grupo de empresas sob o comando de Karina Ferreira da Gama. O longa *Dark Horse* tornou-se alvo de atenção após a revelação de que Daniel Vorcaro, proprietário do Master, teria financiado a produção com repasses de aproximadamente R$ 61 milhões antes de sua prisão. Flávio Bolsonaro confirmou ter intermediado as negociações e cobrado pagamentos de Vorcaro.
Desde 21 de março, por determinação do ministro Flávio Dino, Mário Frias deveria se manifestar sobre as denúncias em cinco dias. No entanto, o parlamentar não foi localizado. Registros do STF indicam que um oficial de Justiça realizou três tentativas frustradas de intimação no gabinete do deputado em 14 de abril. Posteriormente, Dino solicitou à Câmara dos Deputados os endereços de Frias em Brasília e São Paulo, mas as novas diligências efetuadas neste mês também não resultaram em sucesso.
Em nota divulgada nesta quarta-feira (13), Mário Frias negou a utilização de verba pública no filme, descrevendo a obra como uma superprodução de capital 100% privado. O deputado mencionou sua experiência anterior na Secretaria Especial da Cultura durante a gestão Bolsonaro, onde gerenciou recursos da Lei Rouanet, e afirmou ter deixado o cargo sem irregularidades, refutando a apropriação dos R$ 2 milhões citados.
Paralelamente, a Câmara dos Deputados informou ao Supremo que a análise técnica de suas emendas não apontou ilegalidades, confirmando que os procedimentos seguiram a legislação e os parâmetros constitucionais. A Casa ressaltou que a prestação de contas por parte dos beneficiários ainda está em andamento, cabendo às entidades comprovar a aplicação correta dos recursos.