Justiça

STJ analisa nesta terça-feira o pedido de liberdade da influenciadora e advogada Deolane Bezerra

09 de Junho de 2026 às 06:15

A Quinta Turma do STJ julga nesta terça-feira o pedido de liberdade de Deolane Bezerra, presa preventivamente desde 21 de maio. A influenciadora é investigada por lavagem de dinheiro e associação ao PCC, com movimentações suspeitas de R$ 27,6 milhões entre 2018 e 2022. A defesa pleiteia a prisão domiciliar alegando a responsabilidade pelos cuidados de um filho de 9 anos

A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) analisa, nesta terça-feira (9), o pedido de liberdade de Deolane Bezerra. A advogada e influenciadora digital está sob prisão preventiva desde o dia 21 de maio, após ser alvo de uma operação conjunta entre a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo.

A investigação aponta a suspeita de que Bezerra integre a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), atuando em esquemas de associação ao tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. De acordo com relatórios policiais, a influenciadora movimentou R$ 13,6 milhões em contas pessoais e R$ 14 milhões por meio de três de suas empresas entre 2018 e 2022. Os investigadores classificam a origem desses recursos como espúria e identificaram a existência de empresas de fachada em nome da advogada no interior paulista, especificamente em endereços próximos ao presídio de Presidente Venceslau, onde diversas firmas compartilham a mesma localização.

A Polícia Civil de Presidente Venceslau já formalizou o indiciamento de Deolane por organização criminosa e lavagem de dinheiro, no âmbito da Operação Vérnix. Outras seis pessoas também foram indiciadas. O inquérito indica que o grupo criminoso permanecia ativo no momento das prisões, buscando reestruturar empresas para ocultar patrimônio, utilizando novas pessoas jurídicas, movimentações recentes e ativos virtuais. Diante dessas evidências, a polícia solicitou a ampliação de bloqueios patrimoniais, a custódia de joias e relógios, além do sequestro cautelar de veículos apreendidos.

Em sua defesa, Bezerra nega qualquer vínculo com o crime organizado ou com capitais ilícitos, sustentando que todos os seus rendimentos são justificados e declarados. Seus advogados argumentam que a prisão preventiva é desnecessária, pois não haveria risco à ordem pública, à aplicação da lei ou à instrução criminal, dado que as provas já estão com as autoridades. A defesa pleiteia a substituição da custódia por prisão domiciliar, alegando que a influenciadora é a única responsável pelos cuidados de um filho de 9 anos.

A defesa sustenta ainda que os fundamentos da prisão são genéricos e não comprovam fatos atuais de fuga ou destruição de provas, ressaltando que os eventos investigados ocorreram entre 2018 e 2021. Como alternativa, sugerem medidas cautelares, como a proibição de deixar a cidade, a entrega do passaporte e a vedação de contato com outros investigados.

O pedido de liberdade havia sido inicialmente rejeitado pela Presidência do STJ, sob o argumento de que o habeas corpus não poderia ser analisado antes do julgamento final no Tribunal de Justiça de São Paulo. No entanto, após recurso da defesa, o caso foi encaminhado para a análise dos cinco ministros da Quinta Turma.

O histórico jurídico de Deolane Bezerra inclui outras investigações relevantes. Em julho de 2022, foi alvo de busca e apreensão em Alphaville por suspeita de lavagem de dinheiro ligada a uma empresa de apostas esportivas, resultando na apreensão de dois veículos de luxo. Em fevereiro de 2024, a Polícia Civil do Rio de Janeiro instaurou inquérito para apurar possível associação ao tráfico após a influenciadora publicar fotos com o colar de um chefe do Terceiro Comando Puro (TCP) no Complexo da Maré.

Em setembro de 2024, a advogada foi presa preventivamente em Recife durante a Operação Integration, que investigava jogos de azar e lavagem de dinheiro em escala de R$ 2 bilhões. Após a concessão de habeas corpus, a competência do caso foi transferida para a Justiça Federal e a Polícia Federal no início de 2026. Mais recentemente, em abril de 2026, Bezerra tornou-se alvo da Operação Narco Fluxo, da Polícia Federal, sob a suspeita de utilizar plataformas digitais e o meio artístico para lavar dinheiro do tráfico internacional de cocaína, com indícios de que suas contas bancárias serviam como via de passagem para recursos de organizações criminosas.

Com informações de G1

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