STJ mantém a prisão preventiva da advogada e influenciadora Deolane Bezerra por unanimidade
A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça manteve a prisão preventiva de Deolane Bezerra, investigada por lavagem de dinheiro, associação ao tráfico e organização criminosa. O colegiado decidiu aguardar a análise de pedidos de liberdade em instâncias inferiores e recomendou agilidade ao Tribunal de Justiça de São Paulo
A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a prisão preventiva da advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra, detida desde 21 de maio. Por unanimidade, os ministros Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik, Maria Marluce Caldas e Messod Azulay Neto decidiram que a Corte não deve intervir no processo neste momento, sob a justificativa de que existem pedidos de liberdade pendentes de análise em instâncias inferiores. O colegiado recomendou que o Tribunal de Justiça de São Paulo agilize a apreciação desses recursos.
Deolane é investigada por lavagem de dinheiro, associação ao tráfico de drogas e participação em organização criminosa, sendo alvo de operação conjunta do Ministério Público e da Polícia Civil de São Paulo contra a facção Primeiro Comando da Capital (PCC). A Procuradoria-Geral da República manifestou-se a favor da manutenção da custódia, apontando o risco de reiteração criminosa.
O relator do caso, ministro Ribeiro Dantas, considerou a gravidade dos fatos e rebateu o argumento da defesa de que a condição de mãe de uma criança de 9 anos garantiria a prisão domiciliar, afirmando que tal fator não assegura automaticamente a liberdade. O magistrado reiterou que a decisão original da prisão está fundamentada e não apresenta elementos que justifiquem a revisão imediata pelo STJ.
A defesa da influenciadora, representada pelo advogado Aury Lopes Jr, sustentou que a prisão foi "midiática" e que não há riscos à ordem pública, à instrução do processo ou à aplicação da lei penal. Os advogados argumentaram que as provas já estão com as autoridades e que a medida preventiva poderia ser substituída por cautelares, como a entrega do passaporte e a proibição de deixar a cidade. Alegaram ainda que os fatos investigados ocorreram entre 2018 e 2021 e que não houve manifestações do Ministério Público entre 2022 e 2024. Em nota, a defesa lamentou a decisão, afirmando que o tribunal se baseou em questões formais sem analisar o mérito.
No âmbito da Operação Vérnix, a Polícia Civil de Presidente Venceslau (SP) indiciou Deolane e outras seis pessoas por lavagem de dinheiro e organização criminosa. O relatório policial aponta que a influenciadora movimentou R$ 13,6 milhões em contas pessoais e R$ 14 milhões por meio de três de suas empresas entre 2018 e 2022. Os investigadores classificam a origem desses recursos como espúria e identificaram empresas de fachada em nome de Deolane no interior paulista, próximas ao presídio de Presidente Venceslau. A polícia indica que o grupo criminoso permanecia ativo e tentava reestruturar empresas para ocultar patrimônio, utilizando inclusive ativos virtuais. Com base nisso, foram solicitados o sequestro de veículos, a ampliação de bloqueios patrimoniais e a custódia de joias e relógios. A defesa nega qualquer vínculo com o crime organizado, afirmando que todos os rendimentos são declarados.
O histórico jurídico de Deolane Bezerra inclui outras investigações. Em julho de 2022, ela foi alvo de busca e apreensão em Alphaville por suspeita de lavagem de dinheiro ligada a uma empresa de apostas esportivas. Em fevereiro de 2024, a Polícia Civil do Rio de Janeiro apurou possível associação ao tráfico após a influenciadora publicar fotos com o colar de um chefe do Terceiro Comando Puro (TCP) no Complexo da Maré.
Em setembro de 2024, Deolane foi presa preventivamente em Recife pela Operação Integration, que investigava jogos de azar e lavagem de dinheiro em um esquema de R$ 2 bilhões. O caso foi posteriormente assumido pela Justiça Federal no início de 2026, com a anulação de atos estaduais e a transferência do inquérito para a Polícia Federal. Mais recentemente, em abril de 2026, a influenciadora tornou-se alvo da Operação Narco Fluxo, da Polícia Federal, sob suspeita de usar plataformas digitais e o meio artístico para lavar dinheiro do tráfico internacional de cocaína, rifas clandestinas e apostas. Relatórios de inteligência indicam que sua conta bancária teria servido como "conta de passagem" para a organização criminosa.