TCE-RJ apura aplicação de R$ 90 milhões da Cedae no Banco Digimais
O TCE-RJ apura a aplicação de R$ 90 milhões da Cedae no Banco Digimais, investimento realizado na gestão de Cláudio Castro. A Polícia Federal investiga a manipulação de balanços da instituição financeira, enquanto a Cedae planeja transferir os R$ 17 milhões restantes para bancos de menor risco
O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) instaurou um processo para apurar a aplicação de R$ 90 milhões da Cedae no Banco Digimais. A movimentação ocorre paralelamente a uma operação da Polícia Federal, deflagrada nesta terça-feira (23), que investiga a possibilidade de manipulação de balanços contábeis para mascarar a real condição financeira da instituição bancária.
O investimento foi realizado durante a gestão do ex-governador Cláudio Castro (PL), período em que o RioPrevidência também efetuou aplicações no Banco Master. A responsabilidade pelo aporte da Cedae coube a Antônio Carlos dos Santos, então diretor financeiro da companhia e indicado de Castro. O ex-diretor confirmou a alocação dos R$ 90 milhões em um instrumento chamado DPGE, com prazo determinado para retorno, justificando que a medida integrava o plano de negócios da empresa para a obtenção de resultados financeiros.
Antônio Carlos argumentou que a operação não apresentava risco de perda, visto que a modalidade é assegurada pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Ele informou que R$ 50 milhões do montante total retornaram aos cofres da companhia durante sua gestão, enquanto os R$ 40 milhões restantes estariam cobertos pelo FGC. O ex-diretor afirmou ainda que, embora a situação do Banco Digimais fosse considerada difícil, não houve alertas de órgãos de controle sobre a aplicação.
No mercado, o Banco Digimais era conhecido por oferecer altas taxas de retorno, mas também pelo risco de insolvência, cenário similar ao do Banco Master.
Apesar da privatização dos serviços de água e esgoto no Rio de Janeiro, a Cedae permanece vinculada ao governo estadual, sendo responsável pela captação e tratamento da água. A atual administração da empresa informou que a Política de Aplicações Financeiras foi alterada em 19 de maio, após aprovação do Conselho de Administração.
Atualmente, restam R$ 17 milhões investidos no Banco Digimais, com vencimento programado para esta quarta-feira (24). A companhia comunicou que esses valores serão transferidos para instituições do segmento S1, classificação do Banco Central que agrupa os bancos de menor risco no país.
No TCE-RJ, o conselheiro José Gomes Graciosa solicitou a abertura de uma inspeção especial em novembro de 2025. Até o momento, o processo permanece na presidência do Tribunal, em fase de recebimento de documentos.