Justiça

Vítimas de Jeffrey Epstein sofrem ameaças após Departamento de Justiça dos Estados Unidos expor identidades

09 de Junho de 2026 às 06:17

Marina Lacerda e outras 23 mulheres que denunciaram abusos de Jeffrey Epstein relatam ameaças e assédio após a exposição de seus nomes em documentos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Para garantir a segurança, as vítimas adotaram medidas como o uso de armas e a contratação de vigilância

Vítimas de Jeffrey Epstein sofrem ameaças após Departamento de Justiça dos Estados Unidos expor identidades
Reuters

A brasileira Marina Lacerda, que denunciou ter sido vítima de abuso sexual por Jeffrey Epstein em 2002, aos 14 anos, vive sob constante estado de alerta nos Estados Unidos. Após tornar público seu relato, a mulher passou a dormir com uma arma ao lado da cama e reside com a filha de 12 anos em um condomínio fechado, temendo invasões em sua residência.

A perseguição teve início em setembro do ano passado, logo após a participação de Lacerda em uma coletiva de imprensa que solicitava a abertura de documentos do caso. Na ocasião, mensagens anônimas na internet afirmavam que ela seria assassinada por não ter permanecido em silêncio. A situação tornou-se mais crítica quando o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou arquivos sem o sigilo necessário, expondo o nome de Lacerda diversas vezes. Como consequência, ela passou a ser insultada nas redes sociais, enquanto sua filha sofreu provocações no ambiente escolar, com questionamentos de colegas sobre ser filha de Epstein. Para tentar proteger sua localização, a brasileira alterou a titularidade de seus documentos imobiliários, embora mantenha a decisão de ter denunciado o financista.

O cenário de intimidação atinge outras vítimas. Ao menos 23 mulheres relataram ter sofrido assédio ou ameaças após a exposição de suas identidades em documentos oficiais ou após formalizarem denúncias. Danielle Bensky, de 39 anos, recebeu ameaças de violência sexual e morte via redes sociais, enviadas por um homem que utilizava fotos com um fuzil, após seus dados pessoais aparecerem sem tarjas em arquivos do Departamento de Justiça. Já Maria Farmer precisou mudar de residência devido à divulgação de seu endereço na internet e relatou ter cogitado o suicídio diante da pressão e do assédio constantes.

Para lidar com a insegurança, diversas vítimas adotaram medidas extremas de vigilância, como a instalação de câmeras, a contratação de segurança armada ou o porte de armas, facas, tasers e spray de pimenta.

Marina Lacerda figurava como "Vítima Menor 1" na acusação federal de tráfico sexual contra Epstein, apresentada em 2019. O financista morreu na mesmaquele ano, em uma prisão de Nova York, em um evento registrado oficialmente como suicídio enquanto aguardava julgamento. Ghislaine Maxwell, ex-companheira de Epstein, foi condenada em 2021 e cumpre pena de 20 anos de reclusão.

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