Abelardo de la Espriella vence a eleição presidencial na Colômbia e derrota Iván Cepeda
Abelardo de la Espriella venceu a eleição presidencial na Colômbia ao derrotar Iván Cepeda. O presidente eleito é advogado e empresário com histórico de defesa de paramilitares e figuras controversas. Investigações e congressistas dos Estados Unidos questionam a origem e a transparência de seu patrimônio
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Abelardo de la Espriella venceu a eleição presidencial na Colômbia, conforme apuração preliminar do último domingo (21), derrotando Iván Cepeda, candidato que representava a continuidade da agenda progressista de Gustavo Petro. Alinhado à direita conservadora de figuras como Donald Trump, Nayib Bukele e Javier Milei, o novo presidente eleito utilizou sua imagem de empresário bem-sucedido e "outsider" como pilar de campanha, alegando que o autofinanciamento de sua candidatura, via lucros e empréstimos, garante independência frente aos poderes tradicionais do país.
A trajetória financeira de De la Espriella, que possui nacionalidades colombiana, americana e italiana, é marcada por um perfil empreendedor precoce. Nascido em Bogotá e criado em Montería, iniciou atividades comerciais ainda na infância e, durante a graduação em Direito na Universidade Sergio Arboleda, comercializou esmeraldas, uísque e roupas nos Estados Unidos. Essa base permitiu a criação de um ecossistema de negócios que inclui a marca De la Espriella Style, focada em moda, alimentos e bebidas, e a Dominio De la Espriella, voltada para a produção de runs e vinhos da Toscana.
O salto patrimonial definitivo ocorreu no início dos anos 2000, durante o governo de Álvaro Uribe Vélez, no contexto do Acordo de Santa Fe de Ralito. De la Espriella especializou-se na defesa jurídica de integrantes das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), grupo paramilitar de extrema direita acusado de massacres, crimes contra a humanidade e vínculos com o narcotráfico. A advocacia para indivíduos de alto poder aquisitivo e em situações jurídicas críticas consolidou seu escritório, a De la Espriella Lawyers, como sua principal fonte de renda e visibilidade.
Ao longo de sua carreira, o advogado representou figuras controversas, como Álex Saab — apontado como testa de ferro de Nicolás Maduro e extraditado para os Estados Unidos em maio — e David Murcia Guzmán, fundador da DMG. Este último, atualmente cumprindo pena de 30 anos, acusou o advogado de apropriação indevida de 5 bilhões de pesos colombianos (US$ 1,4 milhão) e de solicitar valores para subornar congressistas, alegações que resultaram em processos por injúria e calúnia movidos por De la Espriella.
Apesar da imagem de sibarita, caracterizada pelo uso de relógios de luxo, carros potentes e residências em Miami e Florença, a transparência de sua fortuna é questionada. Uma investigação do veículo La Silla Vacía identificou 35 empresas vinculadas ao presidente eleito entre Colômbia, Panamá e Estados Unidos até dezembro de 2025. O levantamento aponta que, embora o escritório de advocacia seja rentável, outras empresas acumulam dívidas e prejuízos, estimando seu patrimônio na Colômbia em cerca de 19 bilhões de pesos (US$ 5,43 milhões) — valor significativamente inferior aos US$ 52 milhões declarados por Rodolfo Hernández em 2022.
As controvérsias sobre a origem de seus fundos ultrapassaram as fronteiras colombianas. Em 17 de junho, onze congressistas democratas dos Estados Unidos solicitaram formalmente que os departamentos de Estado, Justiça e Tesouro investiguem os investimentos de De la Espriella em solo americano, manifestando preocupação com o apoio de Donald Trump à sua candidatura. A equipe do presidente eleito classifica tais questionamentos como tendenciosos e defende que a clientela do advogado faz parte do exercício legítimo da defesa criminal, enquanto o próprio De la Espriella atribui sua riqueza exclusivamente ao trabalho árduo.