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Abelardo de la Espriella vence eleição presidencial na Colômbia segundo apuração preliminar de votos

22 de Junho de 2026 às 09:04

Abelardo de la Espriella venceu a eleição presidencial na Colômbia com 12.959.515 votos, superando Iván Cepeda, que obteve 12.708.695 votos. A proclamação oficial depende do escrutínio das atas, processo que inicia nesta segunda-feira

O advogado e empresário de direita Abelardo de la Espriella venceu a eleição presidencial na Colômbia neste domingo (21), conforme a apuração preliminar dos votos. Os dados do "preconteo", divulgados pelas autoridades eleitorais, indicam que De la Espriella obteve 12.959.515 votos, superando o candidato de esquerda Iván Cepeda, que somou 12.708.695 votos — uma diferença inferior a 250 mil votos.

Apesar do resultado preliminar, a legislação colombiana determina que a proclamação oficial ocorra apenas após o "escrutínio", fase em que juízes e autoridades revisam as atas para corrigir inconsistências. O processo deve iniciar nesta segunda-feira (22) e, no primeiro turno, demandou dois dias para ser finalizado. O senador Iván Cepeda, aliado do atual presidente Gustavo Petro, afirmou que aguardará essa etapa para reconhecer o resultado. Petro também reforçou que nenhum presidente pode ser proclamado antes da conclusão do escrutínio, alertando para a polarização do país e a influência estrangeira.

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) relatou que a votação transcorreu com tranquilidade e contou com o acompanhamento de observadores internacionais.

A vitória de De la Espriella, naturalizado estadunidense e filiado ao Partido Republicano, marca uma guinada política na Colômbia, interrompendo o ciclo do primeiro governo de esquerda da história do país. Com apoio de Donald Trump, o novo eleito baseou sua campanha em um discurso antissistema e em propostas de segurança rigorosas, inspiradas na gestão de Nayib Bukele em El Salvador. Entre suas promessas estão a construção de 10 megaprisões e a realização de ofensivas militares contra narcotraficantes e grupos armados, rejeitando o diálogo como solução para as guerrilhas.

No campo econômico, o empresário propõe a redução de 40% do tamanho do Estado e a diminuição de impostos corporativos para estimular o setor privado, atribuindo a Petro a responsabilidade pelos problemas fiscais e de segurança atuais. Esse cenário ocorre enquanto a violência se mantém como a principal preocupação dos colombianos, superando a economia, que ainda sofre os impactos da pandemia e do déficit fiscal, mesmo com a redução do desemprego e o aumento de 75% no salário mínimo nominal.

No plano internacional, De la Espriella pretende retirar a Colômbia de organismos como a ONU e a OEA, alegando que tais instituições promovem agendas de esquerda. Ele também defendeu a celebração de acordos militares com os Estados Unidos para o combate ao crime organizado.

O resultado soma-se a um movimento de direita na América Latina, juntando-se a líderes como Jorge Kast, no Chile, e Rodrigo Paz, na Bolívia. No Peru, a candidata Keiko Fujimori lidera a apuração, que já dura duas semanas. O presidente da Argentina, Javier Milei, celebrou a vitória do advogado, a quem chamou de "tigre".

Sem experiência política prévia, De la Espriella, conhecido como "El Tigre", possui um perfil diversificado, mantendo inclusive um site de vendas de produtos diversos, como roupas e bebidas. Sua trajetória é marcada por polêmicas, incluindo declarações íntimas em entrevistas televisivas e a defesa jurídica de Alex Saab, empresário deportado para os EUA em maio sob a acusação de ser laranja de Nicolás Maduro. O advogado afirma que a relação profissional com Saab terminou há seis anos, antes do surgimento das acusações.

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