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Acordo entre Estados Unidos e Irã isola Benjamin Netanyahu e pressiona governo de Israel

16 de Junho de 2026 às 18:09

Acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã exige que Israel interrompa ofensivas contra o Hezbollah no Líbano. A medida gera instabilidade política para Benjamin Netanyahu, que enfrenta críticas de Donald Trump e pressões da oposição e de sua coalizão

Acordo entre Estados Unidos e Irã isola Benjamin Netanyahu e pressiona governo de Israel
AFP/Getty Images via BBC

O acordo de cessar-fogo firmado entre Estados Unidos e Irã impôs a Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, um cenário de instabilidade política e um novo impasse estratégico. A medida fragiliza a imagem do líder israelense como garantidor da segurança nacional e expõe sua marginalização junto ao governo americano, especialmente diante da exigência de Washington e Teerã para que Israel interrompa as ofensivas contra o Hezbollah no Líbano.

A pressão sobre Netanyahu intensificou-se após Donald Trump criticar publicamente a falta de discernimento do primeiro-ministro ao ordenar um ataque a Beirute no último domingo. O desgaste da relação com o principal aliado é explorado por rivais políticos e pela imprensa, em um momento crítico, com eleições gerais previstas para antes do fim de outubro. Yair Lapid, líder da oposição, definiu a situação na última segunda-feira (15/06) como uma escolha entre a rendição dos interesses de Israel ou um embate direto e destrutivo com os Estados Unidos.

Internamente, a coalizão governista também apresenta fissuras. Membros do partido Likud e ministros da direita radical demonstram insatisfação com a condição de que o cessar-fogo abranja todas as frentes militares, incluindo a operação no Líbano. Embora o parlamentar Ariel Kallner tenha afirmado que Israel continuará a se defender e que os aliados devem compreender as necessidades de quem está em perigo, a viabilidade dessa postura é questionada. Sima Shine, ex-integrante do Mossad, apontou a dificuldade de compreender a aceitação dos termos americanos no acordo.

Em coletiva de imprensa em Jerusalém, na noite de segunda-feira, Netanyahu reagiu com irritação às críticas sobre seu desempenho. Ele reiterou que o objetivo central de sua vida adulta é impedir que o Irã obtenha armas nucleares, assegurando que não haverá limitações para alcançar essa meta. O primeiro-ministro admitiu divergências de visão com Trump, mas defendeu a manutenção de uma zona-tampão no Líbano e a prioridade contra a ameaça nuclear.

O cenário atual contrasta com a narrativa de vitória frequentemente adotada por Netanyahu. Apesar da destruição de grande parte de Gaza e da morte de mais de 73 mil pessoas, conforme dados do Ministério da Saúde administrado pelo Hamas, o grupo ainda controla metade do território palestino. Além disso, um plano de paz e a criação de uma administração para Gaza, ambos mediados pelos EUA, seguem estagnados oito meses após o acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas.

A estratégia de segurança de Netanyahu, baseada na ocupação de áreas extensas na Síria, no Líbano e em Gaza, mantém apoio popular interno, mas esgota os recursos militares e os reservistas do país. Paralelamente, os conflitos sucessivos com o regime iraniano e o Hezbollah não eliminaram as ameaças, mas resultaram na ascensão de lideranças mais radicais em Teerã, que agora possuem maior capacidade de projeção no Estreito de Ormuz e menor temor diante do poder de Israel e dos EUA.

A tentativa de Netanyahu de contornar a Casa Branca via Congresso ou opinião pública americana, tática utilizada durante o governo Obama, é vista agora como inviável. Qualquer ação militar israelense interpretada em Washington como sabotagem ao acordo com o Irã deve enfrentar reações severas dos Estados Unidos. Diante disso, a promessa de que suas habilidades políticas seriam a melhor proteção regional torna-se obsoleta, deixando o primeiro-ministro dividido entre a submissão ao aliado ou o confronto diplomático.

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