Acordo entre Estados Unidos e Irã provoca queda nos preços do petróleo e retoma tráfego marítimo
Estados Unidos e Irã assinaram acordo para encerrar conflito, resultando na retomada do fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz e na queda do barril Brent para menos de US$ 78. O documento prevê 60 dias de negociações e exige o fim da guerra no Líbano, onde ataques israelenses continuam

A assinatura de um acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito iniciado em fevereiro, por Donald Trump e Benjamin Netanyahu, provocou a retomada imediata de fluxos energéticos no Estreito de Ormuz. Nesta quinta-feira (18), três navios petroleiros da Arábia Saudita atravessaram a região transportando 6 milhões de barris de petróleo. O impacto no mercado foi instantâneo, com os preços do petróleo Brent recuando 2%, caindo para menos de US$ 78 o barril, o patamar mais baixo desde o começo das hostilidades.
A normalização do tráfego marítimo também foi sinalizada pela reativação dos transponders de localização de navios, que anteriormente eram desligados por segurança. Apesar disso, transportadoras alertam que o volume de tráfego levará tempo para retornar aos níveis anteriores à guerra, devido à necessidade de desminagem e garantia de rotas seguras.
O documento assinado estabelece um prazo de 60 dias de negociações para a formalização de um acordo definitivo. Embora Israel tenha sido excluído das tratativas, o memorando inclui uma exigência explícita pelo fim definitivo da guerra no Líbano, assegurando a soberania e a integridade territorial do país, atendendo a uma condição imposta pelo Irã.
Essa concessão ocorre em meio a críticas públicas de Trump às operações israelenses no Líbano, especialmente quanto à destruição de edifícios para combater militantes do Hezbollah. Israel, que invadiu o território libanês em março e ocupa parte do sul do país, mantém diálogos com Washington para tentar preservar o destacamento de suas tropas na região.
Na prática, a assinatura do acordo não interrompeu a violência no Líbano. Na manhã desta quinta-feira, forças israelenses realizaram novos ataques aéreos e disparos de artilharia em cidades do sul, resultando em ao menos uma morte. Em Beirute e seus subúrbios, a presença de drones israelenses foi registrada, enquanto mais de 1 milhão de pessoas permanecem deslocadas devido aos combates.