AIEA projeta a retomada de vistorias em instalações nucleares iranianas apesar de impasse diplomático
A AIEA projeta retomar vistorias em instalações nucleares iranianas com base em memorando entre Irã e Estados Unidos. Enquanto Donald Trump afirma que Teerã aceitou as inspeções em reuniões na Suíça, o governo iraniano nega a realização desses encontros. Ambas as nações têm 60 dias para resolver pendências, incluindo a gestão de material radioativo e a reabertura do Estreito de Ormuz
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A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) projeta a retomada das vistorias em instalações nucleares iranianas, apesar do impasse diplomático recente entre Teerã e Washington. Em pronunciamento realizado na usina de Fukushima Daiichi, no Japão, o diretor-geral do órgão da ONU, Rafael Grossi, afirmou que a supervisão das atividades nucleares está prevista em um memorando de entendimento assinado pelos presidentes do Irã e dos Estados Unidos.
O retorno dos inspetores é fundamental para monitorar o enriquecimento de urânio no país. Desde a ofensiva de 12 dias conduzida por Israel contra o Irã em 2025, Teerã bloqueia o acesso a locais que, segundo a AIEA, abrigam estoques de urânio altamente enriquecido. Estimativas indicam que esse material seria suficiente para a fabricação de até dez armas nucleares, embora o governo iraniano negue a intenção e defenda a natureza pacífica de seu programa.
A questão das inspeções é um dos eixos centrais de um acordo provisório entre as duas potências, que também prevê a diluição dos estoques de urânio. No entanto, as versões sobre o andamento das tratativas são divergentes. O presidente Donald Trump e seu vice, J.D. Vance, sustentam que negociadores iranianos aceitaram as vistorias durante a primeira rodada de conversas pós-acordo, ocorrida no último fim de semana na Suíça. Trump vinculou a manutenção da abertura do Estreito de Ormuz, após a retirada do bloqueio naval norte-americano, a essa concessão de Teerã, ameaçando encerrar o acordo de paz caso as vistorias não ocorram.
Por outro lado, o Ministério das Relações Exteriores do Irã, via porta-voz Esmaeil Baghaei, negou a realização de reuniões com a AIEA na Suíça ou a intenção de permitir inspeções em usinas danificadas pelo conflito com os EUA. Baghaei argumentou que não existe protocolo para tais vistorias e que o país mantém suas obrigações no Tratado de Não Proliferação Nuclear. O governo iraniano afirmou que as capacidades de mísseis e a defesa nacional não são negociáveis e que outros pontos do acordo devem ser alinhados antes da discussão sobre a pauta nuclear.
Ambas as nações se comprometeram a resolver as pendências, incluindo a reabertura do Estreito de Ormuz e a gestão do material radioativo, em um prazo de 60 dias, com auxílio de mediadores.
Paralelamente, a instabilidade regional impacta as negociações. O embaixador iraniano na ONU em Genebra, Ali Bahreini, classificou novos ataques de Israel no Líbano como uma "linha vermelha". A declaração ocorreu após a Defesa Civil e a mídia estatal libanesa registrarem a morte de duas pessoas por disparos de tropas israelenses no sul do Líbano, as primeiras baixas em três dias. Bahreini alertou que qualquer violação da trégua no Líbano prejudicará a busca por uma paz definitiva.