Aikido Technologies projeta infraestrutura de computação para inteligência artificial em plataformas eólicas no oceano
A Aikido Technologies desenvolve o projeto AO60DC, que integra centros de processamento de dados a turbinas eólicas flutuantes para atender à demanda energética da inteligência artificial. Uma unidade experimental de 100 quilowatts será instalada na Noruega até 2026, com operação comercial prevista para 2028 no Reino Unido
A necessidade crescente de energia para sustentar a expansão da inteligência artificial está impulsionando soluções que transferem a infraestrutura de processamento para o oceano. A Aikido Technologies, empresa de São Francisco especializada em projetos offshore, propõe a instalação de centros de dados em plataformas eólicas flutuantes para aliviar a pressão sobre as redes elétricas terrestres e evitar a disputa por terrenos.
O movimento responde a um salto acelerado no consumo global de eletricidade. De acordo com a Agência Internacional de Energia, essas estruturas consumiram cerca de 415 terawatts-hora, o que representa 1,5% da demanda mundial, com projeção de subir para 945 terawatts-hora até 2030. No mesmo sentido, a consultoria Gartner estima que o consumo chegue a 448 terawatts-hora em 2025, podendo quase dobrar até o final da década. Esse cenário tornou a oferta energética um dos principais desafios para governos, empresas de tecnologia e operadores de rede.
O projeto, denominado AO60DC, integra em uma única fundação flutuante a geração de energia, o armazenamento e o processamento. A estrutura consiste em três pernas, onde módulos de computação são instalados sobre os tanques de lastro. Cada unidade seria alimentada por uma turbina eólica de 15 a 18 megawatts, suportando uma carga computacional entre 10 e 12 megawatts. Para mitigar a instabilidade do vento, o sistema conta com baterias, mantendo a rede elétrica convencional apenas como suporte, já que a operação cotidiana dependeria da energia produzida na própria estrutura.
A eficiência energética é um dos pilares do modelo, com a previsão de um PUE (Power Usage Effectiveness) inferior a 1,08, índice menor do que o registrado em instalações terrestres. O resfriamento ocorreria de forma passiva, com o calor dos servidores sendo dissipado na água do mar através das paredes de aço dos tanques, reduzindo gastos com climatização e infraestrutura de apoio.
A viabilidade do projeto se apoia em cadeias produtivas já consolidadas nos setores de petróleo, gás e energia eólica. A Aikido planeja utilizar componentes e fábricas já existentes no mercado offshore, montando os módulos de dados em terra antes da integração marítima. Além disso, a empresa identifica um potencial de mais de 50 gigawatts em áreas offshore já mapeadas, algumas das quais poderiam ser reaproveitadas para a computação de alta densidade, superando a lentidão de licenciamentos e a saturação de linhas de transmissão em terra.
A implementação ocorrerá em etapas. Até o fim de 2026, será lançada no Mar do Norte, na costa da Noruega, uma unidade de demonstração de 100 quilowatts com uma turbina Vestas V-17 reformada. Para 2028, a meta é iniciar a operação comercial no Reino Unido, onde discussões de engenharia e negócios já foram conduzidas. A longo prazo, a empresa projeta a criação de fazendas offshore com capacidades que variam de 30 megawatts a mais de 1 gigawatt.
Embora a proposta solucione gargalos de espaço e energia, a operação definitiva dependerá da superação de obstáculos técnicos do ambiente marítimo, como a corrosão, a manutenção dos equipamentos e a conectividade.