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Airbus forma coalizão com Alemanha e Espanha para desenvolver caça de sexta geração

15 de Junho de 2026 às 15:11

A Airbus Defence and Space criou o "Team Gen 6" com empresas da Alemanha e Espanha para desenvolver um caça de sexta geração após o fim do programa FCAS. A iniciativa busca novos parceiros, como a Saab ou o GCAP, para viabilizar a produção de aeronaves. O projeto prevê a operação de um Eurofighter com comando de drones autônomos até 2029

Airbus forma coalizão com Alemanha e Espanha para desenvolver caça de sexta geração
Concepto de caza de sexta generación de Airbus.

A Airbus Defence and Space formou o "Team Gen 6", uma coalizão com empresas da Alemanha e Espanha para desenvolver um caça de sexta geração. A iniciativa surge após o colapso do Future Combat Air System (FCAS), programa lançado em 2017 por França, Alemanha e Espanha com orçamento estimado de 100 bilhões de euros e previsão de entrega para 2040. A descontinuação do FCAS foi formalizada pelo chanceler alemão, Friedrich Merz, ao presidente francês Emmanuel Macron, durante cúpula em Montenegro.

O fracasso do projeto anterior não teve origem técnica, mas resultou de impasses políticos e industriais. A Dassault Aviation exigia a liderança total do desenvolvimento, enquanto a Airbus pleiteava uma parceria de engenharia em igualdade de condições. Embora a fase inicial de pesquisa tenha recebido 3,2 bilhões de euros, a etapa de produção de protótipos, avaliada em 5 bilhões, não foi contratada. Somaram-se a isso divergências operacionais: a França demandava que a aeronave operasse em porta-aviões e transportasse armamento nuclear, requisitos rejeitados pela Alemanha.

Diante disso, a França optou por seguir sozinha, repetindo a estratégia de 1985 quando abandonou o Eurofighter para criar o Rafale. Paris planeja aprimorar o Rafale e desenvolver um caça de nova geração, com custo estimado em menos de 50 bilhões de euros, financiado em parte por exportações. Contudo, o Banco de França alertou que um déficit superior a 5% em 2026 poderia comprometer a estabilidade econômica do país.

Para a Airbus, o desafio agora é a viabilidade econômica. A demanda combinada de Alemanha e Espanha é de apenas 250 a 300 aeronaves, volume insuficiente para sustentar um programa de sexta geração de forma independente. Para evitar a dependência de caças americanos, como ocorreu com a quinta geração (F-35), a empresa busca novos parceiros. Estão em curso conversas com a sueca Saab, que desenvolve alternativas para a frota Gripen, e cogita-se a integração do sistema de alerta GlobalEye. Outra possibilidade seria a fusão com o Global Combat Air Program (GCAP), liderado por Reino Unido, Itália e Japão, embora as prioridades do GCAP por aeronaves pesadas conflitem com o perfil de peso médio buscado por Alemanha, Espanha e Suécia.

Tecnicamente, a Airbus apresentou um conceito visual de aeronave com canards dianteiros, asas em "flecha quebrada" e entrada de ar sob o nariz, projetada para controlar drones autônomos. Testes já estão sendo realizados com um Eurofighter equipado com pod Rafael Litening 5 e um Learjet modificado para coordenação tática. A meta é que um Eurofighter com capacidade total de comando de enxames de drones opere em 2029.

A fragmentação do setor também é visível nos drones de apoio: enquanto a Airbus oferece os modelos Wingman e Kratos Valkyrie à Alemanha, a Rheinmetall e a Boeing comercializam o MQ-28 Ghost Bat. O "Team Gen 6" permanece, no momento, como uma coalizão empresarial sem contratos firmados, dependendo de decisões políticas urgentes para que a Europa consiga operar aeronaves de sexta geração antes de 2040, em um cenário onde Estados Unidos e China já avançam com modelos como o F-47, J-36 e J-50.

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