Alemanha constrói a turbina eólica mais alta do mundo com 360 metros de altura
Schipkau, na Alemanha, recebe a construção da turbina eólica mais alta do mundo, com 360 metros. A estrutura deve ser conectada à rede elétrica no final de 2026, com produção anual estimada entre 30 e 33 gigawatts-hora
A cidade de Schipkau, em Brandemburgo, na Alemanha, tornou-se o cenário da construção da turbina eólica mais alta do mundo. Localizado na Lusácia, região historicamente ligada à mineração de carvão, o projeto visa transformar a área em um polo de energia limpa. Com 360 metros de altura — dimensão equivalente a um edifício de 100 andares —, a estrutura será a segunda maior construção da Alemanha, superada apenas pela torre de televisão de Berlim, que possui 368 metros.
A estratégia do empreendimento baseia-se na captura de ventos mais fortes e constantes em altitudes superiores a 300 metros, permitindo a geração de energia com maior previsibilidade, inclusive em locais onde o vento ao nível do solo é insuficiente. Essa tese foi validada por medições prévias realizadas em Klettwitz, a pedido da beventum GmbH, subsidiária da Agência Federal para Inovações de Alto Desempenho, que confirmaram a superioridade do fluxo eólico em grandes altitudes comparado às torres convencionais.
Para viabilizar a montagem de uma estrutura autoportante dessa magnitude, onde guindastes comuns são ineficazes, foi utilizado um dispositivo telescópico patenteado. O sistema eleva a turbina inicialmente até 150 metros, expandindo-a depois para 300 metros até atingir a altura final do projeto. Apesar de ter enfrentado paralisações no fim de 2025 devido a problemas em peças de aço, a obra foi retomada com a previsão de conexão à rede elétrica para o final de 2026.
A expectativa de produção anual é de 30 a 33 gigawatts-hora, com um custo estimado inferior a cinco centavos de dólar por quilowatt-hora. Esse volume de energia é capaz de abastecer aproximadamente 7.500 residências com quatro pessoas, representando um salto de 220% na eficiência em relação às turbinas convencionais da região.
O projeto integra a visão de criar uma usina híbrida em Schipkau, combinando dois níveis de energia eólica e um parque solar no solo. Essa configuração tripla pode quintuplicar a produção energética quando comparada ao uso exclusivo de painéis solares, garantindo geração durante todo o ano.
A iniciativa reflete a necessidade europeia de fortalecer a produção interna de energia para reduzir vulnerabilidades externas e ampliar a autonomia do sistema, especialmente em regiões como a Península Ibérica e o leste da Polônia, onde ventos terrestres fracos dificultam a exploração eólica tradicional.
Contudo, a expansão das renováveis na Alemanha enfrenta o gargalo de redes elétricas obsoletas. Em 2023, a incapacidade de transmitir a energia gerada no nordeste para o sul do país resultou na perda de 9,3 terawatts-hora e em custos de gestão de congestionamento próximos a 3 bilhões de euros, repassados aos consumidores. A aposta é que torres de grande altitude viabilizem uma geração mais descentralizada e economicamente viável em diversas localidades.
No cenário continental, a Europa possuía cerca de 304 gigawatts de energia eólica instalada em terra e no mar no fim de 2025. A Alemanha liderava o ranking com 77,7 gigawatts, seguida pelo Reino Unido (31,6 GW) e Espanha (31,2 GW). Em 2025, o governo alemão adicionou 5.735 megawatts de capacidade, o maior volume entre os países europeus.
Como parte do Programa de Proteção Climática 2026, o governo alemão implementou 67 medidas para reduzir a emissão de CO₂ em 25 milhões de toneladas até 2030, prevendo novos leilões e a licitação de 12 gigawatts de energia eólica para conexão à rede elétrica até o final da década.