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Alta nos preços dos combustíveis nos Estados Unidos impulsiona a procura por transporte público

19 de Maio de 2026 às 15:17

O preço médio do galão de gasolina nos Estados Unidos chegou a US$ 4,52 em 18 de maio. Segundo a Ipsos, 44% dos americanos reduziram as viagens de carro, enquanto Bangor registrou alta de 21% nos passageiros de ônibus desde janeiro

Alta nos preços dos combustíveis nos Estados Unidos impulsiona a procura por transporte público
Jayla Whitfield-Anderson/Reuters

A alta nos preços dos combustíveis nos Estados Unidos tem provocado mudanças significativas nos hábitos de mobilidade e no consumo da população, impulsionando desde a busca por transportes públicos até soluções improvisadas para reduzir gastos. De acordo com a Associação Automobilística Americana (AAA), o valor médio do galão de gasolina comum (aproximadamente 3,8 litros) atingiu US$ 4,52 em 18 de maio, superando a marca de US$ 3 registrada antes do início da guerra no Irã.

Essa pressão financeira reflete-se na rotina de motoristas que, tradicionalmente, priorizam veículos de maior consumo, como SUVs e picapes. Uma pesquisa da Ipsos, divulgada pelo Washington Post e ABC News no final de abril, indica que 44% dos americanos reduziram a frequência de suas viagens de carro. Em Bangor, no Maine, a administradora de trânsito Laurie Linscott relatou um crescimento de 21% no número de passageiros do sistema de ônibus desde janeiro, especialmente nos horários de pico, abrangendo diversos perfis demográficos.

A adaptação ocorre de formas variadas. Em Washington, a criadora de conteúdo Dafne Flores passou a utilizar transporte público durante uma estadia de dois meses em Los Angeles para evitar os custos de abastecimento de seu Toyota Highlander, que chegam a US$ 95, e fugir de preços que beiram US$ 9 por galão em postos de rodovias. Já em Los Angeles, Segette Frank restringiu seus deslocamentos para compras a regiões próximas de sua residência.

A crise também gerou iniciativas comunitárias e comerciais. Em Chicago, a CityPoint Community Church planeja distribuir US$ 5.000 em cartões de combustível de US$ 25 cada, tendo já entregue mais de 70 unidades após as celebrações do Dia das Mães. Na Califórnia, a agência Visit Las Vegas tentou estimular o turismo oferecendo até US$ 100 em gasolina para os primeiros 100 clientes de um posto, embora muitos dos beneficiados, como Robert Jackson, tenham admitido que o valor seria insuficiente para longas viagens, mantendo a dependência de trens e caminhadas.

No setor de serviços, a diretora executiva do Camp Farley, Renee Tocci, em Massachusetts, transformou o custo do combustível em estratégia de marketing ao criar um acampamento noturno para reduzir a necessidade de deslocamento dos pais durante o verão.

Casos extremos de criatividade também surgiram, como o de Mali Hightower, na Geórgia. Para evitar o gasto de cerca de US$ 90 no abastecimento de seu Mercedes-Benz de 1996, o profissional de manutenção adaptou um carrinho elétrico da Barbie, encontrado no lixo, instalando um pistão de lavadora de alta pressão e um motor com capacidade para dois galões de gasolina. O veículo improvisado, equipado com suporte para mantimentos, passou a ser utilizado por ele para idas ao supermercado.

Apesar do cenário, a crise não elevou a compra de carros elétricos, mas beneficiou quem já os possui. John Stringer, presidente do grupo Tesla Owners of Silicon Valley, exemplificou a situação ao publicar um vídeo nas redes sociais contrastando os preços altos dos postos com a conveniência de conduzir um Cybertruck.

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