Andy Burnham é eleito deputado e planeja disputar a liderança do Partido Trabalhista
Andy Burnham foi eleito deputado no distrito de Makerfield com 54,8% dos votos, vencendo Robert Kenyon, do Reform UK. O político, que toma posse na segunda-feira (22), pretende disputar a liderança do Partido Trabalhista contra o primeiro-ministro Keir Starmer
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Andy Burnham, atual prefeito da Grande Manchester e figura central da ala esquerda moderada do Partido Trabalhista, foi eleito deputado na última quinta-feira (19) no distrito de Makerfield, no noroeste da Inglaterra. Com 54,8% dos votos, o político, conhecido como "Rei do Norte", derrotou Robert Kenyon, candidato do partido de extrema direita Reform UK, que obteve 34%. A vitória é um passo estratégico fundamental, pois as normas internas da legenda exigem que qualquer candidato à liderança do partido seja membro do Parlamento.
A eleição em Makerfield funcionou como um termômetro político, testando a capacidade de Burnham em vencer a ascensão do Reform UK, liderado por Nigel Farage. O distrito, composto majoritariamente por população branca de classe trabalhadora, é historicamente favorável a pautas de direita. O desempenho de Kenyon foi prejudicado por declarações ofensivas contra mulheres em redes sociais e pela fragmentação de votos causada pelo partido Restore Britain. O pleito registrou a maior participação em uma votação parcial dos últimos sete anos, com 59% de comparecimento e mais de 45 mil votos.
O retorno de Burnham ao Parlamento foi viabilizado pela renúncia sem precedentes do deputado Josh Simons, que abriu espaço para que o prefeito concorresse à vaga. Agora, Burnham planeja desafiar a liderança do primeiro-ministro Keir Starmer no comando do Partido Trabalhista. Estimativas indicam que ele conseguiria facilmente o apoio de 81 parlamentares, número mínimo necessário para iniciar a disputa interna. Pesquisas apontam que Burnham possui maior popularidade do que Starmer, que adota uma linha mais centrista.
O cenário interno do governo britânico é de instabilidade. Starmer, que assumiu o cargo em julho de 2024, enfrenta forte descontentamento dentro da própria legenda e a pressão de dezenas de deputados que pedem sua renúncia. O desgaste foi intensificado pela nomeação de Peter Mandelson, ex-sócio de Jeffrey Epstein, para o cargo de embaixador em Washington, episódio que resultou na saída de diversos ministros.
Para tentar neutralizar a ameaça, o premiê ofereceu a Burnham um cargo relevante em seu governo na última quarta-feira, proposta que foi rejeitada pela equipe do político. Apesar da crise, Starmer, de 63 anos, mantém-se no poder alegando que a vitória expressiva sobre os conservadores nas eleições de 2024 lhe garante um mandato de cinco anos. Caso ele deixe o cargo em 2025, o Reino Unido terá seu sétimo primeiro-ministro em uma década.
Burnham, que já atuou como ministro da Saúde e cumpre seu terceiro mandato consecutivo na prefeitura de Manchester, toma posse como deputado na próxima segunda-feira (22). Através da rede social X, Starmer felicitou o rival, atribuindo o resultado ao desejo dos eleitores por otimismo em contraposição ao discurso de divisão.