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Antigo porto de armazenamento em La Guaira torna-se necrotério improvisado após terremotos na Venezuela

03 de Julho de 2026 às 09:03

A estrutura de Los Silos, em La Guaira, funciona como necrotério improvisado para centenas de vítimas de terremotos ocorridos em 24 de junho na Venezuela. O local conta com apoio militar, unidade de odontologia forense e serviço de cremação gratuita para identificação e liberação de corpos. O número de mortos no país aproxima-se de 2,6 mil

Antigo porto de armazenamento em La Guaira torna-se necrotério improvisado após terremotos na Venezuela
Reuters via BBC

A estrutura de concreto de Los Silos, em La Guaira, deixou de operar como instalação portuária de armazenamento para se tornar um necrotério improvisado após os terremotos sucessivos ocorridos em 24 de junho na Venezuela. Sob o sol tropical, o local concentra centenas de corpos envoltos em sacos plásticos, organizados por data de resgate. A exposição ao calor intenso acelera a decomposição dos restos mortais, gerando um forte odor que atinge as famílias que aguardam a confirmação de óbitos.

O controle de acesso ao prédio é feito por militares das Forças Armadas Bolivarianas armados com fuzis. No local, as autoridades montaram tendas e disponibilizaram cadeiras para quem espera a conclusão dos processos de identificação. A estrutura conta com uma unidade de odontologia forense para casos de corpos com traços humanos degradados e uma tenda destinada à cremação gratuita.

Para a identificação dos parentes, as famílias seguem dois caminhos: a análise direta de roupas em áreas específicas ou a visualização de imagens em televisores. Neste segundo método, mais de mil fotografias de corpos são exibidas em sequência. As imagens mostram vítimas com rostos inchados, pele escurecida e marcas de impacto. O reconhecimento ocorre por meio de detalhes como tatuagens, cicatrizes, pulseiras ou objetos pessoais. Em alguns casos, funcionárias utilizam tablets para ampliar detalhes anatômicos e auxiliar as famílias.

O processo de liberação dos corpos é lento e burocrático. Após a identificação, são colhidas as impressões digitais, quando possível, e o corpo é colocado em um caixão. A liberação final depende da emissão da certidão de óbito, documento necessário para que as funerárias retirem os restos mortais.

Relatos de sobreviventes e familiares evidenciam a gravidade da crise. Moradores de regiões como Catia La Mar e Carayaca relatam a dificuldade de encontrar parentes em listas oficiais, dependendo exclusivamente das imagens para o reconhecimento. Há denúncias de que voluntários ouviram vozes de pessoas presas em elevadores em Playa Grande, mas que não houve resgate. Outras vítimas, como as de Caraballeda, foram encontradas nos escombros quase uma semana após os tremores.

Até o momento, o número de mortos na Venezuela aproxima-se de 2,6 mil, e as autoridades preveem que este total aumentará significativamente à medida que as buscas prosseguem.

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