Apuração da presidência do Peru segue com impasse técnico entre Roberto Sánchez e Keiko Fujimori
Roberto Sánchez e Keiko Fujimori disputam a presidência do Peru em um impasse técnico com 98,3% das urnas computadas. Os dados do Escritório Nacional de Processos Eleitorais indicam variação na liderança conforme a inclusão dos votos do exterior. Restam 1,727% dos votos a serem processados
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A disputa pela presidência do Peru, decidida em segundo turno no último domingo (7), mantém Roberto Sánchez, do Juntos pelo Peru, e Keiko Fujimori, da Força Popular, em um impasse técnico enquanto a apuração dos votos prossegue. Com 98,3% das urnas computadas, os dados do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) apontam que Sánchez detém 50,215% dos votos válidos, contra 49,785% de Fujimori. No entanto, ao incluir a votação realizada por peruanos no exterior, o cenário se inverte levemente, com Keiko atingindo 50,003% e Sánchez 49,997%.
A oscilação entre os candidatos marca a contagem dos votos. Inicialmente, Fujimori liderava com cinco pontos percentuais de vantagem na noite de domingo. A diferença caiu para menos de um ponto na manhã de segunda-feira (8), momento em que Sánchez assumiu a liderança às 13h07. Na noite de quarta-feira (10), Keiko retomou a vantagem por uma margem inferior a um ponto.
Atualmente, a apuração no exterior atingiu 94,573%, com ampla vantagem para Keiko Fujimori, que soma 63,396% contra 36,604% de Sánchez. Dentro do território peruano, a contagem ainda está pendente nas regiões de Ucayali, Madre Dios, Loreto, Cusco e Ayacucho. Embora a apuração tenha sido encerrada em outras localidades, parte das cédulas ainda será encaminhada à Justiça Eleitoral. No total, 1,727% dos votos depositados no país e fora dele ainda não foram processados.
A autoridade eleitoral alertou que a definição do vencedor pode levar dias, devido ao sistema de votação baseado em cédulas de papel, utilizado pelos 27,33 milhões de eleitores aptos.
O pleito ocorre em um contexto de instabilidade política extrema, com o Peru tendo registrado nove presidentes em um intervalo de dez anos, apesar de os mandatos preverem cinco anos de duração. O primeiro turno de 2026 foi marcado por um recorde de 35 candidatos à presidência. Naquela etapa, Keiko Fujimori obteve 17,2% dos votos válidos, enquanto Roberto Sánchez alcançou 12%.
Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, tenta a presidência pela quarta vez, após derrotas nos segundos turnos de 2011, 2016 e 2021. Ela lidera a Força Popular, partido que fundou em 2008. Já Sánchez, deputado federal, concentra sua base de apoio em zonas rurais e áreas afastadas dos centros urbanos.
A eleição reflete a crise de representatividade no país, onde 90% da população demonstra pouca ou nenhuma confiança no governo e no Congresso Nacional. Apenas 10% dos cidadãos se declaram satisfeitos com a democracia peruana, quadro caracterizado como uma desconfiança crônica.