Arábia Saudita adia construção de The Line e reduz drasticamente a população prevista para a cidade
A Arábia Saudita adiou a construção da cidade linear The Line para depois de 2030 e reduziu a meta final de residentes para 100 mil pessoas. A decisão ocorreu após a paralisia das operações em julho de 2025, motivada por escassez de liquidez e custos estimados em 8,8 trilhões de dólares. O governo redirecionou investimentos para o Oxagon, zona industrial no Mar Vermelho
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A Arábia Saudita adiou a construção de "The Line", a cidade linear que deveria atravessar o deserto como um complexo de espelhos, para depois de 2030. O projeto, que integrava a "Visão 2030" do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman para modernizar o país e reduzir a dependência do petróleo, foi drasticamente reduzido. A proposta original previa uma estrutura de 170 quilômetros de extensão, 500 metros de altura e 200 metros de largura, com capacidade para nove milhões de habitantes em um modelo de cidade inteligente sem carros.
A mudança de rumo ocorreu após análises estratégicas conduzidas pelo CEO da Neom, Aiman al-Mudaifer. O fundo de investimento estatal saudita passou a exigir a geração de lucros reais em vez do consumo contínuo de capital, especialmente diante de um déficit nacional agravado por uma economia fragilizada e pelos impactos econômicos da guerra no Irã. Como resultado, a população projetada para o final da década caiu de 1,5 milhão para 300 mil pessoas, sendo que a meta final agora limita a cidade a apenas 100 mil residentes. A fase inicial do projeto foi reduzida a um trecho de 2,4 quilômetros.
O declínio do projeto foi marcado por crises financeiras e operacionais. Estimativas indicaram que o custo total para a conclusão da obra chegaria a 8,8 trilhões de dólares, valor que supera em 25 vezes o orçamento anual da Arábia Saudita. Auditorias internas revelaram a manipulação de cifras para ocultar o aumento dos custos, enquanto imagens de satélite mostraram o desvio de recursos para a construção de um campo de golfe e um palácio real com 16 edifícios. O cenário de instabilidade culminou na saída do ex-CEO Nadhmi al-Nasr, sob acusações de má conduta, e em denúncias sobre a morte de milhares de trabalhadores submetidos a jornadas de 16 horas.
A paralisia total das operações ocorreu em julho de 2025, impulsionada pela escassez de liquidez e pela queda do petróleo para cerca de 71 dólares por barril. O governo saudita precisou de consultorias externas para avaliar a viabilidade do conceito linear, priorizando a preparação financeira para a Exposição Universal de 2030 e a Copa do Mundo de 2034.
Atualmente, o foco estratégico do reino migrou do interior do deserto para a costa. A Arábia Saudita investirá cerca de 3 bilhões de dólares no Oxagon, zona industrial com porto no Mar Vermelho, área que ganhou relevância comercial após o fechamento do Estreito de Ormuz. O objetivo é expandir a conectividade digital e as redes de fornecimento de água e energia para atrair empresas de inteligência artificial. A localização costeira é fundamental para a instalação de centros de dados, que demandam sistemas de refrigeração por água.
Outras iniciativas da Neom também foram impactadas. Complexos turísticos no Mar Vermelho foram adiados para depois de 2030, e o projeto de montanha Trojena, previsto para sediar os Jogos Asiáticos de Inverno de 2029, não terá novos investimentos antes de 2031. O Ministro das Finanças, Mohamed al-Yadaan, e o príncipe herdeiro reiteraram que o governo não hesitará em cancelar ou modificar radicalmente qualquer programa caso o interesse público exija.