Mundo

Ataque a hospital na República Democrática do Congo provoca fuga de pacientes com Ebola

16 de Julho de 2026 às 15:05

Uma multidão atacou o Hospital Nyakunde, na República Democrática do Congo, após a morte de uma paciente por anemia grave. A ação causou a fuga de profissionais e de pacientes tratados por Ebola. O exército do país abriu uma investigação sobre o episódio

Ataque a hospital na República Democrática do Congo provoca fuga de pacientes com Ebola
REUTERS/Gradel Muyisa Mumbere/Foto de arquivo

Um ataque violento ao Hospital Nyakunde, localizado na província de Ituri, no leste da República Democrática do Congo (RDC), provocou a fuga de profissionais de saúde e de parte dos pacientes que tratavam Ebola na unidade. O episódio ocorreu na última quarta-feira (15), após uma multidão invadir a instituição, danificar a cerca perimetral e arremessar pedras.

A mobilização agressiva foi desencadeada pela morte de uma mulher que havia dado entrada no hospital para dar à luz, mas faleceu por volta das 15h devido a um quadro de anemia grave. O ataque iniciou-se imediatamente após o óbito, resultando na dispersão de vários dos aproximadamente 10 pacientes com Ebola que estavam internados no local.

Contexto sanitário e segurança

O incidente expõe a fragilidade das operações de saúde no leste da RDC, região marcada por insegurança, resistência comunitária e profunda desconfiança em relação às equipes médicas. Esse cenário tem dificultado sistematicamente as estratégias de contenção e tratamento da doença.

O surto atual, o 17º registrado no país, teve início em meados de maio e apresenta uma propagação acelerada. De acordo com dados oficiais, a epidemia já contabiliza 2.073 casos confirmados e 796 mortes.

Histórico de violência e instabilidade

Ataques a unidades de saúde não são isolados neste surto. A violência atual remete ao período entre 2018 e 2020, quando outro surto no leste do país resultou na morte de mais de 25 profissionais de saúde.

Essa instabilidade, somada à alta carga de estresse e ao risco iminente, motivou protestos e ameaças de greve por parte dos trabalhadores da saúde, que reivindicam remunerações compatíveis com a periculosidade da função.

Em resposta aos distúrbios em Nyakunde, o exército congolês comunicou a abertura de uma investigação oficial sobre o ocorrido.

Notícias Relacionadas