Ataque de mísseis dos Estados Unidos deixa sete militares iranianos mortos em quartel no Irã
Ataques de mísseis dos Estados Unidos mataram sete militares iranianos em Iranshahr nesta quarta-feira (15). Em resposta, o Irã bombardeou instalações americanas no Bahrein, Kuwait e Jordânia, enquanto Washington retomou o bloqueio aos portos iranianos e impôs novas sanções financeiras
Sete militares iranianos morreram nesta quarta-feira (15) após um ataque de mísseis dos Estados Unidos atingir um quartel próximo a Iranshahr, no extremo sudeste do Irã. A ofensiva faz parte de uma escalada de confrontos que resultou em quatro noites consecutivas de bombardeios americanos contra alvos militares no país.
O Comando Central dos EUA (Centcom) confirmou a realização de uma nova onda de ataques na manhã desta quarta, iniciada por volta das 7h do horário de Brasília. Esta ação sucedeu a uma série de bombardeios ocorridos na noite de terça-feira (14), que atingiram diversas localidades, incluindo a cidade de Ahvaz e a região do Estreito de Ormuz, especificamente em Bandar Abbas e na ilha de Qeshm.
Contra-ataques e instabilidade regional
Em resposta, o Irã lançou ataques contra instalações ligadas aos Estados Unidos em países do Golfo. A televisão estatal iraniana informou que a Quinta Frota dos EUA, sediada no Bahrein, foi um dos alvos. As forças de defesa do Bahrein confirmaram a interceptação de mísseis e classificaram a conduta iraniana como hostil e criminosa contra civis.
No Kuwait, que já havia registrado quatro militares feridos por mísseis e drones na terça-feira, novos ataques de drones foram relatados nesta quarta. O governo iraniano admitiu ter bombardeado o centro logístico de Mina Abdullah, utilizado pelo Exército dos EUA. Na Jordânia, as forças armadas derrubaram três mísseis iranianos direcionados a hangares na base Al Azraq e a uma instalação de caças F-18.
Bloqueio naval e impacto global
Desde as 17h de terça-feira (horário de Brasília), os Estados Unidos retomaram o bloqueio militar aos portos iranianos com o objetivo de manter a navegação aberta no Estreito de Ormuz. A Guarda Revolucionária do Irã, no entanto, declarou que a rota permanecerá fechada enquanto persistirem as agressões norte-americanas.
A instabilidade na região já impacta o comércio mundial e a segurança marítima. De acordo com a Organização Marítima Internacional, ataques a petroleiros no Estreito de Ormuz deixaram ao menos dois mortos e vários feridos desde a noite de segunda-feira. A ONU manifestou preocupação com as consequências humanitárias e socioeconômicas do bloqueio a essa via de passagem essencial.
Ruptura diplomática e sanções financeiras
O recrudescimento dos conflitos compromete o protocolo de acordo assinado em 17 de junho, que ratificava o cessar-fogo de abril. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou que Washington desmantelou tal compromisso.
Paralelamente às ações militares, os EUA impuseram novas sanções financeiras:
* Congelamento de 130 milhões de dólares (aproximadamente 659 milhões de reais) em criptomoedas vinculadas ao Banco Central iraniano.
* Sanções contra a rede de petroleiros do magnata Mohammad Hossein Shamkhani, sob a acusação de facilitar exportações de petróleo do Irã.