Ataques a centros de saúde na República Democrática do Congo agravam surto de vírus Ebola
Ataques a centros de saúde na República Democrática do Congo causaram a fuga de 18 pacientes suspeitos de Ebola em Mongbwalu. A OMS elevou o risco do surto da variante Bundibugyo para "muito alto", com 82 casos e sete mortes confirmados. A província de Ituri proibiu velórios e aglomerações acima de 50 pessoas para conter a propagação
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Ataques deliberados a centros de saúde na República Democrática do Congo intensificam a crise sanitária provocada por um surto da variante Bundibugyo do vírus Ebola. Na noite de sexta-feira (22), homens não identificados incendiaram uma tenda de tratamento operada pela organização Médicos Sem Fronteiras na cidade de Mongbwalu, epicentro da epidemia. O incidente resultou na fuga de 18 pacientes com suspeita de infecção, que desapareceram na comunidade local.
Este foi o segundo ataque do tipo em menos de uma semana. Na quinta-feira (21), outra unidade de saúde foi incendiada em Rwampara, após familiares de um paciente falecido serem impedidos de retirar o corpo. A medida de restringir velórios tradicionais e realizar sepultamentos controlados é adotada por autoridades sanitárias devido ao alto risco de contágio dos corpos após a morte, o que tem gerado conflitos com as populações locais. No sábado (23), a Cruz Vermelha relatou a necessidade de apoio policial para realizar enterros em Rwampara diante da resistência de jovens e moradores.
Para tentar conter a propagação do vírus, a província de Ituri proibiu, na sexta-feira (22), a realização de velórios e aglomerações com mais de 50 pessoas. Paralelamente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou o nível de risco do surto no país de “alto” para “muito alto”, embora mantenha a avaliação de que a probabilidade de disseminação global da doença é baixa.
O cenário é agravado pela natureza da cepa Bundibugyo, uma das formas mais raras de Ebola e que, diferentemente da variante Zaire, não possui vacina aprovada. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, confirmou 82 casos e sete mortes, alertando que a cifra real deve ser superior, já que a variante circulou sem identificação por semanas, resultando em testes negativos para a cepa mais comum. Atualmente, as autoridades monitoram 750 casos e 177 mortes suspeitas, aguardando confirmação laboratorial.
A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho revelou que três voluntários morreram em Mongbwalu após contraírem o vírus durante a remoção de corpos em março. O dado sugere que a circulação do patógeno começou antes da primeira morte oficial, registrada no final de abril em Bunia, capital de Ituri. Diante disso, a diretora-geral do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças, Jean Kaseya, pontuou que a eficácia da resposta sanitária depende da recuperação da confiança entre as comunidades e as autoridades.