Mundo

Ataques anti-imigração e incêndios crimosos atingem Belfast após vídeo de esfaqueamento viralizar nas redes sociais

10 de Junho de 2026 às 06:12

Grupos mascarados incendiaram veículos e expulsaram famílias negras de suas casas em Belfast na terça-feira. Os distúrbios ocorreram após um sudanês de 30 anos esfaquear um homem de 40 anos na segunda-feira. A polícia mobilizou veículos blindados para conter a violência

Ataques anti-imigração e incêndios crimosos atingem Belfast após vídeo de esfaqueamento viralizar nas redes sociais
Isabel Infantes / Reuters

Uma onda de violência anti-imigração tomou conta de Belfast na noite de terça-feira, resultando em incêndios crimosos e na expulsão forçada de famílias de suas residências por grupos de homens mascarados. Os ataques foram desencadeados após a viralização de um vídeo que mostrava um esfaqueamento ocorrido no norte da cidade no final da noite de segunda-feira.

O crime inicial, descrito como revoltante pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, deixou um homem de aproximadamente 40 anos com ferimentos graves no pescoço, na cabeça, nos olhos e cortes no rosto e nas costas. De acordo com o vice-chefe de polícia da Irlanda do Norte, Ryan Henderson, o agressor utilizou uma faca de cozinha. A vítima foi salva graças à intervenção de populares que afastaram o suspeito antes da chegada dos policiais.

O autor do ataque, um cidadão sudanês de 30 anos, foi indiciado por tentativa de homicídio, ameaça de morte e posse de objeto cortante em local público, com comparecimento previsto ao Tribunal de Magistrados de Belfast nesta quarta-feira.

A repercussão do crime gerou distúrbios generalizados. Centenas de manifestantes, muitos com rostos cobertos, atacaram a polícia e incendiaram veículos, incluindo um ônibus no leste de Belfast. Em uma das ruas da região leste, um grupo de 100 homens arrombou portas e quebrou janelas de residências. O pastor Jack McKee afirmou que as famílias estavam sendo expulsas de suas casas apenas por serem negras.

A primeira-ministra da Irlanda do Norte, Michelle O’Neill, classificou a ação dos grupos mascarados como covardia repugnante, afirmando que não há justificativa para tais ataques. Para conter a violência, a polícia mobilizou veículos blindados em diversos pontos da cidade.

Embora o esfaqueamento não esteja sendo tratado como terrorismo, o episódio ocorre em um cenário de alta tensão no Reino Unido. O país enfrenta protestos recorrentes sobre a política de asilo, impulsionados por partidos populistas, e registrou recentemente o assassinato de um estudante que foi algemado enquanto agonizava, após o autor do crime, um homem sikh, alegar falsamente ter sido vítima de racismo. No ano passado, a Irlanda do Norte também registrou distúrbios anti-imigração motivados por uma suposta agressão sexual.

Líderes dos principais partidos políticos da Irlanda do Norte condenaram o ataque brutal e pediram calma à população, alertando que os conflitos prejudicam as próprias comunidades locais.

Com informações de G1

Notícias Relacionadas