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Autoridades da Saxônia transferem detenta de direita para prisão masculina após suspeita de fraude identitária

16 de Julho de 2026 às 15:05

Autoridades da Saxônia transferiram Marla-Svenja Liebich, condenada por difamação e incitação ao ódio, para uma prisão masculina. A decisão ocorreu após a detenta, que mudou legalmente seu sexo no final de 2024, ser extraditada da República Tcheca

Autoridades da Saxônia transferem detenta de direita para prisão masculina após suspeita de fraude identitária
Hendrik Schmidt/dpa/picture alliance

As autoridades da Saxônia transferiram Marla-Svenja Liebich, figura proeminente do extremismo de direita no leste da Alemanha, de uma penitenciária feminina para uma prisão masculina. A decisão, anunciada nesta quinta-feira (16/07), ocorre após suspeitas de que a detenta teria alterado sua identidade de gênero apenas para evitar o cumprimento de pena em regime masculino.

Liebich, de 55 anos, foi sentenciada a um ano e meio de reclusão por crimes de difamação e incitação ao ódio étnico. Após a condenação, a pessoa, que anteriormente utilizava o nome Sven, registrou-se legalmente como mulher no final de 2024, aproveitando-se de uma reforma legislativa que simplificou a mudança de sexo no registro civil.

Fuga e Extradição

A detenta estava foragida desde agosto do ano passado, após ignorar a ordem de apresentação em uma unidade feminina. Liebich foi localizada e capturada no início de abril, na República Tcheca.

A extradição para a Alemanha foi concretizada na última quarta-feira, depois que a Justiça tcheca rejeitou os argumentos da defesa, que alegava risco à vida caso a transferência para uma prisão masculina fosse efetuada. No momento da captura, relatos do jornal Mitteldeutsche Zeitung indicam que Liebich apresentava a cabeça raspada e trajava roupas masculinas.

Controvérsias Jurídicas e a Lei de Autodeterminação

O caso gerou forte debate sobre a Lei de Autodeterminação de Gênero, implementada em novembro de 2024. A norma permite a alteração de nome e sexo em cartório via autodeclaração, dispensando a necessidade de laudos psiquiátricos ou tratamentos hormonais.

A conduta de Liebich é vista por críticos como uma tentativa de ridicularizar a legislação. O histórico da detenta reforça essa percepção: enquanto se identificava como Sven, manifestava-se abertamente contra a "ideologia de gênero", insultava participantes de paradas LGBTQ+ e comercializava produtos com frases contrárias à existência de crianças trans.

Repercussões e Medidas Administrativas

A secretária de Justiça da Saxônia, Constanze Geiert, defendeu a transferência para a instituição masculina, afirmando que a medida prioriza a segurança das mulheres detentas e que fraudes não devem prosperar no Estado de Direito. Geiert argumentou que as condições da privação de liberdade são determinadas pelo Estado, e não pelo preso, defendendo a revisão da lei atual.

No âmbito jurídico e midiático, o caso teve desdobramentos relevantes:
* A Justiça de Halle analisa um processo para reverter a autodeclaração de gênero de Liebich.
* O Conselho de Imprensa da Alemanha dispensou uma denúncia contra a revista Der Spiegel, considerando provável que a mudança de dados civis tenha ocorrido de má-fé.
* O jornalista Julian Reichelt venceu uma ação judicial movida por Liebich, tendo assegurado o direito de afirmar que a detenta não é mulher.

Diante do potencial uso indevido da legislação, o governo do chanceler conservador Friedrich Merz já anunciou que pretende revisar a Lei de Autodeterminação.

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