Barack Obama inaugura centro presidencial com museu e serviços comunitários no sul de Chicago
Barack Obama inaugurou, na quinta-feira (18/06), o Centro Presidencial Obama no bairro Jackson Park, em Chicago. O complexo de 7,8 hectares custou US$ 850 milhões e integra museu, biblioteca e serviços comunitários. A cerimônia reuniu ex-presidentes e líderes internacionais, enquanto moradores locais alertam para riscos de gentrificação
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Barack Obama inaugurou, na última quinta-feira (18/06), o Centro Presidencial Obama no sul de Chicago. O complexo de 7,8 hectares, que homenageia o 44º presidente dos Estados Unidos (2009-2017), funde arquitetura moderna, arte e história, integrando museu e sala de leitura a serviços comunitários, como biblioteca pública, estúdio de gravação, quadra de basquete e parque infantil.
A cerimônia de abertura, que durou mais de três horas, reuniu todos os ex-presidentes vivos do país, além de líderes internacionais que governaram durante a gestão de Obama, como a ex-chanceler alemã Angela Merkel e o ex-primeiro-ministro canadense Justin Trudeau. O evento contou ainda com a presença de celebridades e apresentações musicais de artistas como Bruce Springsteen, Stevie Wonder, Christina Aguilera, John Legend, Marc Anthony, Bono e The Edge, além de Jennifer Hudson, Common e Eddie Vedder, que interpretou uma composição feita com jovens do programa Guitars Over Guns. O atual presidente, Donald Trump, não foi convidado para a solenidade.
Construído com um investimento de US$ 850 milhões arrecadados privadamente pela Fundação Obama, o centro foi instalado no bairro Jackson Park, região próxima à antiga residência da família antes da mudança para Washington. Durante a inauguração, Obama destacou que a escolha do local reflete sua gratidão aos moradores da cidade e dos bairros vizinhos, enfatizando que o espaço foi projetado para ser um ponto de união e mudança comunitária, afastando-se do conceito de um monumento estático. Michelle Obama reforçou a ideia de que o complexo deve promover a convivência democrática e o cuidado com os espaços públicos, incentivando a interação social e o combate ao isolamento. Valerie Jarrett, diretora executiva da fundação, pontuou que a obra é uma homenagem a todos que viabilizaram a trajetória do casal.
Apesar da celebração, o projeto enfrenta controvérsias. O custo elevado e a torre de oito andares, com design irregular em granito e inscrições de um discurso de Obama sobre direitos civis, dividem opiniões. Enquanto a estrutura é vista por alguns como grandiosa e audaciosa, outros a apelidaram de "Obamalisco".
A maior tensão, contudo, reside no impacto social para as comunidades do entorno. Moradores e lideranças locais, como Shannon Bennett, da Organização Comunitária Kenwood Oakland, alertam para o risco de gentrificação e a especulação imobiliária que eleva os preços das moradias. Em contrapartida, há quem defenda que o centro impulsionará o desenvolvimento econômico de áreas anteriormente negligenciadas. A expectativa dos organizadores é que o complexo, com acesso gratuito na maior parte de suas dependências, atraia anualmente entre 750 mil e 1 milhão de visitantes.