Bastian Schweinsteiger é criticado por usar estereótipos racistas ao analisar a seleção da Costa do Marfim
O comentarista Bastian Schweinsteiger foi criticado por utilizar termos como "selvagem" e "pouco ortodoxo" ao analisar a seleção da Costa do Marfim na emissora ARD. As falas foram interpretadas como estereótipos racistas e clichês coloniais. O ex-jogador não se manifestou publicamente sobre o caso
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Bastian Schweinsteiger, ex-meio-campista do Bayern de Munique e do Manchester United, tornou-se alvo de críticas por utilizar estereótipos racistas ao analisar a seleção da Costa do Marfim. Atuando como comentarista da emissora pública ARD, o campeão mundial de 2014 descreveu o estilo de jogo dos adversários da Alemanha como um "futebol africano", definindo-o como "pouco ortodoxo", "talvez não tão marcado pela tática" e "um pouco selvagem".
O uso do termo "wild" (selvagem) em alemão gerou repercussões imediatas na mídia tradicional e nas redes sociais. As críticas apontam que a fala de Schweinsteiger recorre a clichês coloniais que priorizam atributos físicos em detrimento das capacidades intelectuais de atletas negros. Essa percepção é reforçada por estudos acadêmicos citados pelo criador de conteúdo esportivo Patrick Schnitzler, que indicam uma tendência de comentaristas e torcedores em destacar características físicas de jogadores negros mais do que as de atletas não negros.
A análise do ex-jogador, que previu que a partida seria "imprevisível em alguns momentos", divergiu do que ocorreu em campo no sábado (20/06). A Costa do Marfim apresentou solidez tática, especialmente no primeiro tempo, forçando a equipe alemã, comandada por Julian Nagelsmann, a limitar-se a cruzamentos e chutes de longa distância. O time marfinense, composto majoritariamente por atletas de grandes clubes europeus, abriu o placar com o capitão Franck Kessié, após jogada de Yan Diomande, embora a Alemanha tenha vencido o confronto por 2 a 1.
Em coluna publicada na Spiegel, Awounou argumentou que as falas de Schweinsteiger refletem a visão de diversos especialistas e torcedores do futebol alemão. O autor destacou que o jogador menos ortodoxo da partida, que combinou força física e técnica, foi o alemão Felix Nmecha — atleta negro com raízes nigerianas, nascido em Hamburgo e treinado na Inglaterra. Para Awounou, a globalização do futebol torna obsoleta a tentativa de determinar qualidades esportivas com base na cor da pele ou no continente de origem.
Até o momento, Bastian Schweinsteiger não se manifestou publicamente sobre o episódio.