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Butão planeja novo aeroporto internacional para descentralizar o turismo e impulsionar a economia regional

24 de Maio de 2026 às 15:02

O Butão prevê a operação do Aeroporto Internacional de Gelephu em 2029 para atender a nova região administrativa de Gelephu Mindfulness City. A infraestrutura terá capacidade para 123 voos diários e visa descentralizar o turismo, integrando-se a um projeto de centro econômico com a primeira ferrovia do país

Butão planeja novo aeroporto internacional para descentralizar o turismo e impulsionar a economia regional
BIG via BBC

O Butão planeja transformar a acessibilidade de seu território e a dinâmica de sua economia com a construção do Aeroporto Internacional de Gelephu, previsto para entrar em operação em 2029. O projeto, que já recebeu o prêmio de Projeto do Futuro do Ano no Festival Mundial de Arquitetura de 2025, servirá como a principal porta de entrada para a Gelephu Mindfulness City (Cidade da Atenção Plena de Gelephu), uma região administrativa especial idealizada pelo rei Jigme Khesar Namgyel Wangchuck.

A nova infraestrutura visa descentralizar o turismo, que historicamente se concentra no oeste do país, e abrir a região sul, caracterizada por selvas e biodiversidade, para visitantes estrangeiros. O terminal será construído com madeira local em uma estrutura vazada que regula a umidade e remete às montanhas da região, integrando espaços para meditação, ioga e banhos de gongos. Com capacidade para 123 voos diários, o aeroporto deve reduzir a dependência de conexões em cidades como Bangkok, Delhi e Kathmandu.

Atualmente, o único aeroporto internacional do país fica em Paro, situado a 2.243 metros de altitude. Devido à topografia sinuosa e à ausência de radares, a operação em Paro é considerada uma das mais difíceis do mundo, exigindo aproximação visual e sendo limitada a menos de 50 pilotos habilitados globalmente. Em 2025, o local recebeu 88.546 visitantes, a maioria concentrada em roteiros tradicionais como Thimphu e os vales de Punakha e Phobjikha.

A criação de Gelephu surge como uma resposta ao impacto da pandemia de Covid-19, que paralisou o turismo e acelerou a saída de jovens do país. A estratégia do rei é estabelecer um centro econômico que atraia investidores e empresas internacionais focadas em sustentabilidade, com a meta de abrigar 1 milhão de residentes, entre butaneses e estrangeiros, até 2060. O projeto inclui ainda a primeira ferrovia do Butão, com uma conexão de 69 km ligando a cidade a Assam, na Índia.

Apesar da expansão, o Butão mantém seu modelo de turismo controlado. Após décadas de isolamento e a abertura gradual em 1974, o país substituiu, em 2022, a antiga tarifa diária fixa (que variava entre US$ 200 e US$ 250) por uma Taxa de Desenvolvimento Sustentável de US$ 100 por adulto, por noite, mantendo a premissa de "Alto Valor, Baixo Volume" para preservar seu patrimônio cultural.

A região sul, onde se localiza Gelephu, oferece um cenário subtropical distinto dos penhascos e mosteiros do centro do país. A área é cercada por dois parques nacionais, incluindo o Royal Manas National Park, santuário de tigres, elefantes, leopardos e da rara garça-de-barriga-branca. Para atrair turistas, o governo planeja a inauguração da Lotus-Born Trail em 2028, uma trilha de 168 km que conectará a selva do sul às cristas alpinas do coração espiritual do reino.

O desenvolvimento de Gelephu também prioriza a espiritualidade e a cultura. Mestres budistas e o órgão monástico central propuseram a criação de templos, centros de retiro e um *dzong* (fortaleza monástica) com espaços para estudos sagrados. No centro histórico, projetos de revitalização incluirão murais do coletivo VAST, uma Vila do Patrimônio Cultural dedicada a 13 artes tradicionais e polos gastronômicos que destacam a culinária dos lhotshampas e o prato nacional, o *ema datshi*.

Historicamente, o sul do Butão permaneceu intocado devido a dificuldades geográficas, monções e conflitos, como a 'Duar War' na década de 1860, que afastou as ambições britânicas sobre o território. Agora, a aposta do governo é que a combinação de infraestrutura moderna e preservação ambiental transforme a percepção global sobre o reino e gere oportunidades para as futuras gerações.

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